Caldas Novas decreta calamidade após concentrar 83% dos casos de Chikungunya em Goiás
Cidade já soma mais de mil casos confirmados da doença em 2026 e pressiona sistema de saúde com aumento acelerado das notificações
A Prefeitura de Caldas Novas decretou situação de calamidade pública após o avanço expressivo dos casos de chikungunya em 2026. O município concentra 83% das confirmações da doença em Goiás, conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás. O crescimento acelerado das notificações pressionou o sistema de saúde local e levou o poder público a ampliar as ações emergenciais de enfrentamento ao Aedes aegypti.
Segundo a SES-GO, Caldas Novas registra 2.445 casos notificados e 1.169 confirmados neste ano. Em todo o estado, são 2.923 notificações e 1.414 confirmações. Ou seja, a cidade responde pela maior parte dos diagnósticos em Goiás. Até o momento, não há mortes confirmadas, mas três óbitos seguem em investigação. O decreto leva em consideração tanto o volume de casos quanto a sobrecarga nas unidades de saúde, que passaram a atender número elevado de pacientes com febre alta e dores intensas nas articulações, sintomas característicos da chikungunya.
Diante do cenário, Estado e Município organizaram uma força-tarefa com mutirões de limpeza, eliminação de criadouros, aplicação de inseticida em áreas estratégicas e reforço no atendimento médico. A superintendente de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim, reforçou que o combate depende essencialmente da eliminação do mosquito. “Não temos vacina disponível. A única forma de controle é reduzir criadouros e impedir a proliferação do Aedes aegypti”, destacou.
Além das ações tradicionais, Caldas Novas tornou-se a primeira cidade goiana a implantar 2 mil Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), tecnologia que ajuda a reduzir a população do mosquito. As armadilhas já estão sendo instaladas em bairros como Santa Efigênia, Parque Real, Nova Vila e Caldas do Oeste, áreas com maior número de notificações. O equipamento atrai o mosquito, que entra em contato com o larvicida e acaba disseminando o produto em outros focos, ampliando o alcance da estratégia.
De acordo com o secretário municipal de Saúde, Wiris Marcos Arantes, fatores como altas temperaturas, aumento das chuvas e baixa conscientização da população contribuíram para o crescimento dos casos. Ele afirma que 98% dos focos do mosquito são encontrados dentro dos próprios quintais. “A variação climática favorece a reprodução do Aedes aegypti, mas a eliminação dos criadouros depende diretamente da colaboração da população”, ressaltou.
Somente neste início de ano, mais de 27 mil imóveis já receberam visitas de agentes de combate às endemias. O município também ampliou a estrutura de atendimento. Além da UPA e do Hospital de Retaguarda, todas as unidades básicas atendem casos de arboviroses. Foi criada ainda uma Central de Atendimento específica para dengue e chikungunya na ESF do Recanto dos Eucaliptos, com funcionamento diário das 7h às 19h.
Situação em Goiânia em relação a chikungunya, dengue e reforço nas ações
Em paralelo, Goiânia monitora 14 casos confirmados e mantém situação considerada estável. A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia intensificou bloqueios em áreas com notificações, ampliou visitas domiciliares e reforçou campanhas educativas. Os dados são atualizados diariamente pelo Painel de Arboviroses, com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
A chikungunya provoca febre, dores articulares intensas, fadiga e, em alguns casos, sintomas persistentes por meses. Diante do surto em Caldas Novas, as autoridades reforçam que o combate ao mosquito exige ação integrada entre poder público e comunidade. Manter quintais limpos, eliminar recipientes com água parada, vedar caixas d’água e permitir a entrada dos agentes são medidas consideradas essenciais para conter a epidemia e evitar novos picos da doença.
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