Microplásticos entram no debate sobre higiene bucal
Pesquisas nos EUA e na Itália investigam liberação por escovas e fios; impacto à saúde ainda não é conclusivo
Partículas microscópicas de plástico, já detectadas em sangue, pulmões e outros tecidos humanos, passaram a ser examinadas também em um gesto cotidiano: a escovação dos dentes. Pesquisas recentes sugerem que produtos de higiene bucal podem liberar microplásticos durante o uso diário, embora o alcance dessa exposição ainda esteja sob investigação.
Estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade de Salerno, na Itália, e por equipes de universidades americanas indicam que o atrito provocado pela escovação e pelo uso do fio dental pode desprender fragmentos microscópicos de materiais plásticos presentes nesses produtos. Ainda não há consenso, contudo, sobre quanto dessas partículas permanece na cavidade oral ou é ingerido.
As escovas convencionais utilizam cerdas de náilon, polímero sintético submetido a fricção repetida ao menos duas vezes por dia. O fio dental tradicional, por sua vez, é formado por filamentos plásticos tensionados entre os dentes. Pesquisas laboratoriais indicam que esse processo mecânico pode liberar fibras microscópicas durante a higiene bucal, ainda que os efeitos dessa exposição sobre o organismo não estejam estabelecidos.
Microplásticos na higiene bucal
A discussão não se limita aos instrumentos de escovação. Embalagens também entram no debate. Estudos conduzidos por engenheiros ambientais apontam que tubos de pasta e frascos de enxaguantes, frequentemente produzidos por moldagem térmica, podem permitir a migração de micropartículas para o conteúdo ao longo do tempo.
Microesferas plásticas, anteriormente utilizadas como abrasivos em produtos de higiene bucal, foram proibidas nos Estados Unidos em 2015 após preocupações ambientais. Mesmo assim, o plástico continua presente como matéria-prima predominante na fabricação de escovas, fios dentais e embalagens.
Até agora, faltam pesquisas comparativas que indiquem quais produtos liberam mais partículas ou que estabeleçam ligação direta entre higiene bucal diária e danos clínicos associados à presença de microplásticos no organismo. O tema permanece em fase inicial de investigação científica.
Enquanto o debate avança, especialistas destacam que os benefícios da higiene bucal na prevenção de cáries e doenças gengivais continuam amplamente comprovados. A recomendação segue a mesma: escovar os dentes com movimentos suaves, substituir a escova a cada três ou quatro meses e evitar exposição do material a calor excessivo, medidas que ajudam a reduzir a degradação dos produtos sem comprometer a saúde bucal.
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