Conta de água e esgoto fica 4,845% mais caras em Goiás a partir de abril
Reajuste da água autorizado pela Agência Goiana de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos atinge 223 municípios atendidos pela Saneago e pela BRK Ambiental Goiás S/A
Os consumidores goianos devem preparar o orçamento doméstico para uma mudança nas despesas básicas a partir do próximo mês. A partir de 1º de abril de 2026, as tarifas de abastecimento de água e esgotamento sanitário em Goiás passarão a vigorar com reajuste linear de 4,845%. A medida, oficializada por publicação no Diário Oficial, atinge diretamente os usuários atendidos pela Saneago e pela BRK Ambiental Goiás S/A em 223 municípios do Estado.
O aumento foi autorizado após análise técnica conduzida por diferentes órgãos reguladores. A decisão partiu do Conselho Regulador da Agência Goiana de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (AGR) e contou com articulação conjunta de agências municipais, como a Agência de Regulação de Goiânia (AR), a Agência Municipal de Regulação de Anápolis (ARM) e a Agência de Regulação dos Serviços Públicos de Saneamento Básico (AMAE).
Dessa cooperação resultou a Resolução Conjunta nº 1/2026 – AGR/AR, que aprovou a Nota Técnica Conjunta nº 1/2026 e definiu o Índice do Reajuste Tarifário Anual para 2026. Segundo a Saneago, o objetivo central do reajuste é recompor as perdas inflacionárias acumuladas ao longo do ano anterior. A companhia destaca que a medida é considerada essencial para manter o equilíbrio econômico-financeiro, assegurando que os recursos arrecadados com as faturas sejam revertidos em novos investimentos e na manutenção dos sistemas existentes.
O percentual de 4,845% incide tanto sobre o custo mínimo fixo (tarifa de disponibilidade) quanto sobre o valor do metro cúbico (m³) de água e esgoto consumidos. Na prática, para as categorias mais comuns, o impacto representa acréscimo de R$ 0,41 no custo mínimo fixo mensal.
Além do valor fixo, as tarifas por faixa de consumo também foram atualizadas. Para um imóvel da categoria Residencial Normal que consome entre 1 e 10 m³, o metro cúbico de água passou a custar R$ 5,77. Na categoria Residencial Social, na mesma faixa, o valor é de R$ 2,73 por m³. À medida que o consumo aumenta, o preço por metro cúbico também sobe, podendo chegar a R$ 14,06 para consumos superiores a 50 m³ na categoria normal.
A categoria Residencial Social é destinada a famílias de baixa renda. Para ter direito ao benefício, o morador precisa ter inscrição ativa no CadÚnico do Governo Federal, renda familiar de até R$ 105,00 por pessoa e consumo mensal de até 20 metros cúbicos.
A regulação determina que os usuários sejam notificados sobre o reajuste com antecedência mínima de 30 dias antes da entrada em vigor dos novos valores. Também cabe à Saneago disponibilizar a estrutura tarifária completa em seu site oficial e nos postos de atendimento físico para consulta pública.
Enquanto Goiás promove o ajuste local, o cenário nacional de gestão hídrica também passa por atualizações. Recentemente, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) publicou a Resolução nº 286, de 10 de fevereiro de 2026. Embora a norma trate da regularização do uso da água para fins hidrelétricos, com regras sobre Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica (DRDH) e outorgas, ela evidencia a complexidade do setor de saneamento e recursos hídricos no País.
A resolução estabelece que o uso da água deve respeitar metas de qualidade e assegurar disponibilidade para usos múltiplos, como abastecimento humano e transporte aquaviário. Essa governança federal compõe o plano de fundo que sustenta a segurança hídrica necessária para que empresas como a Saneago operem e prestem serviços à população.
O reajuste em Goiás, portanto, insere-se em um contexto de manutenção da infraestrutura estadual diante dos desafios inflacionários. Para os consumidores, o momento exige atenção às faturas emitidas a partir de maio, referentes ao consumo de abril, e, quando possível, a adoção de medidas de consumo consciente para reduzir o impacto do aumento no fechamento das contas do mês. (Especial para O HOJE)