quinta-feira, 3 de setembro de 2026
NEGÓCIOS

Mercado de bebidas zero álcool cresce e abre nova frente bilionária no Brasil

Queda no consumo de alcoólicos impulsiona vinhos, destilados e mocktails

Otavio Augustopor em
Mercado de bebidas zero álcool cresce e abre nova frente bilionária no Brasil
Foto: Divulgação

O mercado de bebidas sem álcool no Brasil vive um momento de expansão em múltiplas frentes. Embora o consumo de bebidas alcoólicas esteja em queda entre grande parte da população — com mais da metade dos consumidores relatando redução voluntária na ingestão — a indústria e o varejo encontram novas oportunidades em rótulos zero álcool e experiências sofisticadas que mantêm a socialização, sem os efeitos adversos do etanol.

Mudança de comportamento impulsiona demanda

Pesquisa recente indica que cerca de 53% dos brasileiros que consomem bebidas alcoólicas reduziram seu consumo no último ano, impulsionados por motivos que vão desde saúde e bem-estar até desinteresse pelo álcool e desconforto físico. Esse movimento, que também é forte entre os mais jovens — especialmente a geração Z —, reflete uma escolha consciente por moderação e qualidade de vida, e tem se traduzido em maior procura por alternativas sem álcool nos bares, restaurantes e supermercados.

O aumento da demanda por produtos zero álcool vem acompanhado pelo crescimento do mercado de bebidas não alcoólicas como um todo. Estudos de mercado apontam que o segmento de bebidas sem álcool no Brasil deve continuar crescendo nos próximos anos, com projeções de avanço em receitas e consumo até 2030.

álcool
Foto: Divulgação

Cerveja zero e novos produtos conquistam espaço

O segmento de cervejas sem álcool passou por uma transformação significativa nos últimos anos. Segundo dados de consultorias, o consumo desse tipo de bebida cresceu mais de 200% entre 2020 e 2023, saltando de cerca de 198 milhões para quase 650 milhões de litros, com previsão de alcançar 1 bilhão de litros até 2025, consolidando o Brasil entre os maiores mercados mundiais da categoria.

Empresas líderes no setor ampliaram suas linhas de produtos sem álcool. A Ambev, por exemplo, lançou versões zero de marcas tradicionais e reportou aumentos expressivos nas vendas, observando crescimento de dois dígitos no segundo semestre de 2025.

Leia também: Transformação digital vira requisito de sobrevivência para empresas em Goiás

Vinhos e destilados “no-alcohol” ganham terreno

Além da cerveja, vinhos e destilados sem álcool têm se destacado. Vinícolas como a brasileira La Dorni relatam crescimento de vendas de produtos desalcoolizados, passando de 150 mil litros por ano para cerca de 420 mil litros, conforme a mudança de hábito dos consumidores. As novas gerações procuram manter a experiência de degustação e convivência sem ressaca ou desconforto no dia seguinte.

O mercado brasileiro de destilados sem álcool também deve ganhar força. Relatórios de pesquisa indicam que o segmento de “spirits” não alcoólicos pode crescer a uma taxa anual contínua nos próximos anos, com gin, vodka e outros estilos representando potencial de expansão no país até 2030.

Bares e restaurantes adaptam cartas com mocktails

A adaptação do setor de food service às novas demandas é visível. Bares e restaurantes ampliaram suas cartas de drinques sem álcool — os chamados “mocktails” — em resposta à preferência dos consumidores por opções que não comprometam a experiência social. Em algumas casas, essas versões representam uma parcela significativa das vendas de coquetéis, chegando a até metade da performance dos drinques alcoólicos mais populares.

Mixologistas têm trabalhado para elevar o nível desses produtos, indo além de simples receitas sem álcool. Técnicas como infusão de especiarias, uso de frutas frescas e criações autorais buscam oferecer sensações complexas e sofisticadas, equiparando a experiência à dos coquetéis tradicionais.

Foto: Divulgação

Educação e profissionalização acompanham o movimento

O crescimento da demanda por bebidas sem álcool também influenciou o mercado de treinamento profissional. Escolas de coquetelaria e sindicatos do setor lançaram cursos específicos para desenvolvimento de drinks sem álcool, refletindo a necessidade de capacitar bartenders e mixologistas em técnicas que atendam a um público exigente e em expansão.

Analistas apontam que a tendência por escolhas conscientes de consumo deve se consolidar nos próximos anos, movendo não apenas as grandes marcas, mas também nichos inovadores e pequenas produtoras que exploram sabores, texturas e experiências sensoriais alternativas. O mercado “zero álcool”, assim, deixa de ser apenas um segmento complementar para se transformar em importante vetor de diversificação e crescimento na indústria de bebidas. 

 

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Tecnologia deixa de ser apenas produto e vira serviço estratégico para empresas

NEGOCIOS

Tecnologia deixa de ser apenas produto e vira serviço estratégico para empresas

Mercado de TI cresce 18,5% no Brasil e abre espaço para novos modelos de negócios
Receita do governo para 2027 supera R$ 3 trilhões e levanta dúvidas entre economistas

Economia

Receita do governo para 2027 supera R$ 3 trilhões e levanta dúvidas entre economistas

Orçamento de 2027 prevê R$ 3,4 trilhões em receitas, mas especialistas veem projeções otimistas
PIB coloca Brasil em 5º lugar no ranking mundial e pode ultrapassar Rússia em 2027

Economia

PIB coloca Brasil em 5º lugar no ranking mundial e pode ultrapassar Rússia em 2027

Brasil avança no ranking do PIB e pode ultrapassar Rússia como 9ª maior economia
SIMPLES NACIONAL

SIMPLES NACIONAL

Adesão ao Simples Nacional para 2027 é antecipada para setembro

Micro e pequenas empresas que ainda não fazem parte do regime têm de 1º a 30 de setembro para sol...
Uber anuncia demissão de 3,3 mil funcionários em corte global

CRESCIMENTO DOS ROBOTÁXIS

Uber anuncia demissão de 3,3 mil funcionários em corte global

Redução atingirá 10% do quadro corporativo e será a maior promovida pela empresa desde a pandemi...
Prazo para contestar devolução do Pix por fraude sobe de 30 para 80 dias

PIX

Prazo para contestar devolução do Pix por fraude sobe de 30 para 80 dias

Mudança do Banco Central amplia o período para comerciantes e prestadores de serviços contestarem...
Indústria brasileira cresce 0,2% em julho após dois meses de queda

CRESCIMENTO

Indústria brasileira cresce 0,2% em julho após dois meses de queda

Setor avançou 0,2% no mês, após duas quedas consecutivas, mas resultado anual e comparação com ...
Previdência

Aposentadoria

Nova reforma da previdência propõe idade mínima de 67 e contribuição de MEIs

Projeto busca mitigar efeitos do envelhecimento da população, com mudanças nas contribuições, n...