domingo, 25 de outubro de 2026
NEGÓCIOS

Mercado de bebidas zero álcool cresce e abre nova frente bilionária no Brasil

Queda no consumo de alcoólicos impulsiona vinhos, destilados e mocktails

Otavio Augustopor em
Mercado de bebidas zero álcool cresce e abre nova frente bilionária no Brasil
Foto: Divulgação

O mercado de bebidas sem álcool no Brasil vive um momento de expansão em múltiplas frentes. Embora o consumo de bebidas alcoólicas esteja em queda entre grande parte da população — com mais da metade dos consumidores relatando redução voluntária na ingestão — a indústria e o varejo encontram novas oportunidades em rótulos zero álcool e experiências sofisticadas que mantêm a socialização, sem os efeitos adversos do etanol.

Mudança de comportamento impulsiona demanda

Pesquisa recente indica que cerca de 53% dos brasileiros que consomem bebidas alcoólicas reduziram seu consumo no último ano, impulsionados por motivos que vão desde saúde e bem-estar até desinteresse pelo álcool e desconforto físico. Esse movimento, que também é forte entre os mais jovens — especialmente a geração Z —, reflete uma escolha consciente por moderação e qualidade de vida, e tem se traduzido em maior procura por alternativas sem álcool nos bares, restaurantes e supermercados.

O aumento da demanda por produtos zero álcool vem acompanhado pelo crescimento do mercado de bebidas não alcoólicas como um todo. Estudos de mercado apontam que o segmento de bebidas sem álcool no Brasil deve continuar crescendo nos próximos anos, com projeções de avanço em receitas e consumo até 2030.

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Foto: Divulgação

Cerveja zero e novos produtos conquistam espaço

O segmento de cervejas sem álcool passou por uma transformação significativa nos últimos anos. Segundo dados de consultorias, o consumo desse tipo de bebida cresceu mais de 200% entre 2020 e 2023, saltando de cerca de 198 milhões para quase 650 milhões de litros, com previsão de alcançar 1 bilhão de litros até 2025, consolidando o Brasil entre os maiores mercados mundiais da categoria.

Empresas líderes no setor ampliaram suas linhas de produtos sem álcool. A Ambev, por exemplo, lançou versões zero de marcas tradicionais e reportou aumentos expressivos nas vendas, observando crescimento de dois dígitos no segundo semestre de 2025.

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Vinhos e destilados “no-alcohol” ganham terreno

Além da cerveja, vinhos e destilados sem álcool têm se destacado. Vinícolas como a brasileira La Dorni relatam crescimento de vendas de produtos desalcoolizados, passando de 150 mil litros por ano para cerca de 420 mil litros, conforme a mudança de hábito dos consumidores. As novas gerações procuram manter a experiência de degustação e convivência sem ressaca ou desconforto no dia seguinte.

O mercado brasileiro de destilados sem álcool também deve ganhar força. Relatórios de pesquisa indicam que o segmento de “spirits” não alcoólicos pode crescer a uma taxa anual contínua nos próximos anos, com gin, vodka e outros estilos representando potencial de expansão no país até 2030.

Bares e restaurantes adaptam cartas com mocktails

A adaptação do setor de food service às novas demandas é visível. Bares e restaurantes ampliaram suas cartas de drinques sem álcool — os chamados “mocktails” — em resposta à preferência dos consumidores por opções que não comprometam a experiência social. Em algumas casas, essas versões representam uma parcela significativa das vendas de coquetéis, chegando a até metade da performance dos drinques alcoólicos mais populares.

Mixologistas têm trabalhado para elevar o nível desses produtos, indo além de simples receitas sem álcool. Técnicas como infusão de especiarias, uso de frutas frescas e criações autorais buscam oferecer sensações complexas e sofisticadas, equiparando a experiência à dos coquetéis tradicionais.

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Foto: Divulgação

Educação e profissionalização acompanham o movimento

O crescimento da demanda por bebidas sem álcool também influenciou o mercado de treinamento profissional. Escolas de coquetelaria e sindicatos do setor lançaram cursos específicos para desenvolvimento de drinks sem álcool, refletindo a necessidade de capacitar bartenders e mixologistas em técnicas que atendam a um público exigente e em expansão.

Analistas apontam que a tendência por escolhas conscientes de consumo deve se consolidar nos próximos anos, movendo não apenas as grandes marcas, mas também nichos inovadores e pequenas produtoras que exploram sabores, texturas e experiências sensoriais alternativas. O mercado “zero álcool”, assim, deixa de ser apenas um segmento complementar para se transformar em importante vetor de diversificação e crescimento na indústria de bebidas. 

 

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