quarta-feira, 11 de março de 2026
ORIENTE MÉDIO

Trump diz que sucessor no Irã precisa ter aval dos EUA

No 9º dia de guerra, presidente americano afirma que novo líder supremo não deve durar sem aprovação de Washington

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 8 de março de 2026
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Foto: Divulgação/ Casa Branca)

A guerra no Irã entrou no nono dia com novos bombardeios sobre Teerã e com o futuro político do país ainda indefinido após a morte do líder supremo, Ali Khamenei. O processo para escolha do sucessor ocorre em meio à ofensiva militar e também a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirma querer influência no cenário político iraniano.

Neste domingo (8), Trump afirmou que o dirigente que assumir o comando do país poderá ter dificuldade para permanecer no cargo se não contar com a aprovação de Washington. A declaração foi feita durante entrevista à emissora ABC News. “Ele vai ter que obter nossa aprovação”, disse o presidente. “Se ele não obtiver nossa aprovação, não vai durar muito”, acrescentou.

A sucessão foi aberta depois que Khamenei morreu em bombardeios contra a capital iraniana no dia 28 de fevereiro. Desde então, a definição do novo líder supremo está nas mãos da Assembleia dos Especialistas, colegiado formado por 88 clérigos responsável por eleger a autoridade máxima do país.

Aiatolá Ali Khamenei,
Aiatolá Ali Khamenei, morto em ofensiva conjunta dos EUA e Israel em Teerã (Foto: Reprodução/ @khamenei.ir)

Informações divulgadas pela imprensa estatal iraniana indicam que o órgão já teria realizado uma votação para definir o sucessor, embora o resultado ainda não tenha sido anunciado oficialmente. Até que a escolha seja formalizada, um conselho interino mantém o funcionamento das instituições do Estado.

Trump rejeita filho de Khamenei como sucessor no Irã

O tema da sucessão passou a ganhar destaque também nas declarações do governo norte-americano. Em entrevista ao site Axios, na quinta-feira (5), Trump afirmou que considera necessário acompanhar de perto a definição do novo líder iraniano e declarou que pretende se envolver pessoalmente na questão.

O presidente criticou a possibilidade de que Mojtaba Khamenei, filho do líder morto, seja escolhido para o cargo. “O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã. Eles estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso morto”, afirmou Trump.

Em outra entrevista, concedida à CNN internacional, o presidente afirmou que a principal preocupação dos Estados Unidos não é o modelo político que surgirá no Irã, mas a forma como o novo governo se relacionará com Washington e com seus aliados na região. “Precisa haver um líder que seja justo e correto, que trate bem os Estados Unidos e Israel e também os outros países do Oriente Médio”, declarou.

Relatos citados pela Casa Branca também apontam Mojtaba Khamenei como um dos nomes discutidos no processo sucessório. A porta-voz do governo americano, Karoline Leavitt, afirmou recentemente que informações recebidas por Washington indicam o religioso entre os principais candidatos.

Governo iraniano rejeita pressão dos EUA

No Irã, o ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, afirmou que a escolha do novo líder supremo é uma decisão interna e rejeitou qualquer possibilidade de influência externa.

Em entrevista ao programa “Meet the Press”, da emissora NBC, Araghchi disse que ainda não há definição oficial e que rumores sobre o resultado da votação não podem ser confirmados. “Há muitos rumores circulando, mas precisamos aguardar a Assembleia de Peritos se reunir e votar no novo Líder Supremo”, afirmou.

Questionado sobre as declarações de Trump, o chanceler reiterou a posição do governo iraniano. “Não permitimos que ninguém interfira em nossos assuntos internos. Isso é assunto do povo iraniano”, disse.

Enquanto a disputa política segue sem definição pública, os confrontos militares continuam. Autoridades israelenses afirmam ter ampliado os ataques contra alvos na capital iraniana e dizem controlar grande parte do espaço aéreo da região.

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