Assessor de Trump

Assessor de Trump quer visitar Bolsonaro na prisão

Visita de Darren Beattie, responsável por políticas dos EUA para o Brasil, depende de autorização do STF e pode ampliar repercussão política e diplomática do caso

Paula Costapor Paula Costa em 10 de março de 2026
Bolsonaro
Advogados solicitam que Alexandre de Moraes reavalie agenda para encontro com Darren Beattie, assessor do governo Trump que estará no Brasil na próxima semana. Crédito: Reprodução/ Rede Social.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou nesta terça-feira (10), em Brasília, autorização ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para receber na prisão a visita do norte-americano Darren Beattie, assessor do governo Donald Trump responsável por políticas relacionadas ao Brasil. O pedido foi apresentado pela defesa do ex-mandatário, que cumpre pena em Brasília após condenação por tentativa de golpe de Estado.

No requerimento encaminhado ao Supremo, os advogados solicitam que o encontro com Beattie seja autorizado de forma excepcional nos dias 16 ou 17 de março. Normalmente, as visitas ao ex-chefe do Executivo ocorrem às quartas-feiras e aos sábados. No portal oficial do Departamento de Estado, o norte-americano é descrito como defensor da promoção da liberdade de expressão como instrumento de política diplomática.

Nomeado em fevereiro para atuar no Departamento de Estado dos Estados Unidos, Beattie é encarregado de formular e supervisionar iniciativas da política externa de Washington voltadas ao Brasil. Crítico da atuação do Judiciário brasileiro no caso envolvendo Bolsonaro, o assessor já classificou Moraes como “principal arquiteto da censura e da perseguição ao ex-presidente”.

A presença de Beattie no país está prevista para a próxima semana. Segundo fontes ligadas ao governo Trump, ele participará em São Paulo, no dia 18 de março, de um evento voltado à discussão sobre minerais críticos.

A visita ocorre em meio a debates em Washington sobre a possibilidade de classificar organizações criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas estrangeiras. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanha o tema e busca evitar que essa designação seja formalizada pelos Estados Unidos.

Bolsonaro está detido no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como “Papudinha”, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão. Como relator das investigações sobre a trama golpista que resultaram na condenação do ex-presidente, Moraes também é responsável por autorizar ou negar visitas ao detento.

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