terça-feira, 10 de março de 2026
OPINIÃO

Polarização entre Wilder e Daniel mina federação PSDB-Cidadania

Eleições para o Governo de Goiás são avessas a 3ª via, grande parte tem só um favorito, como Iris em 1982 e Caiado em 2018 e 2022, as demais vão ao 2º turno e quem fica fora é massacrado nas urnas

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 10 de março de 2026
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Enquanto a pré-campanha presidencial se define, Marconi segue embolado com Daniel e Wilder - Foto: Marconi Perillo, Wilder Morais e Daniel Vilela - Crédito: Divulgação PSDB, Edilson Rodrigues Agência Senado e Benedito Braga

Paciência comigo antes de este texto chegar a 2026, pois preciso espantar o fantasma da 3ª via, que em Goiás é exceção.

Relembre que, nas últimas eleições diretas para governador, em 1965, apenas dois concorreram e Otávio Lage (UDN) ganhou de Peixoto da Silveira (PSD) por 4.153 votos de diferença ou 0,76%. Passou o ciclo de escolha pelos generais presidentes da República e em 1982, com o retorno das votações, Iris Rezende (PMDB) goleou Lage por 66,72% a 32,54%. O 3º colocado, Athos Magno (PT), ficou com 0,68%. Em 1986, Henrique Santillo obteve 57,23%, Mauro Borges (PDC) 34,13% e Darci Accorsi (PT) 7,8%. Em 1990, Iris 56,39%, Paulo Roberto Cunha (PDC) 34,03% e Valdi Camarcio (PT) 5,63%.

Em 1998, Marconi Perillo (PSDB) e Iris duelaram pau a pau no 1º turno (48,59% a 46,91%) e a seguir veio Osmar Magalhães (PT) com 3,15%. Em 2006, Alcides Rodrigues (PP) teve 48,22%, Maguito Vilela (PMDB) 41,17% e Barbosa Neto (PSB) 6,56%. Em 2010, Marconi 46,33%, Iris 36,38% e Vanderlan Cardoso (PR) 16,62%. Em 2014, Marconi 45,86%, Iris 28,4%, Vanderlan (PSB) 14,98%. Houve três vitórias no 1º turno, Marconi em 2002, Ronaldo Caiado em 2018 (no DEM) e 2022 (no UB).

Quem fica em 3º é aniquilado

Observaram o massacre dos que ficam em 3º? A exceção foi 1994, 1ª eleição com 2º turno, quando no 1º turno Maguito tirou 42,54% e a 2ª (Lúcia Vânia, do PP) ficou 2,34% acima do 3º (Caiado, do PFL). Então, como ficará neste ano, com Marconi, Daniel Vilela (MDB) e Wilder Morais (PL) disputando cada palmo de chão no Estado? Observados os índices, a conclusão é óbvia: alguém aí vai emagrecer até virar cadáver. Analisadas as pesquisas dos últimos dias, esse nome é Marconi, pois está fora de qualquer polarização.

Ocorreu o mesmo em 2018: Marconi não apoiou Jair Bolsonaro (PSL) nem Fernando Haddad (PT). Portanto, alheio à polarização. Resultado: liderou quase o tempo inteiro, até definhar tão completamente que foi para o 5º lugar com macérrimos 7,37%. Sejamos justos com Marconi: foi vítima também de uma atabalhoada operação da Polícia Federal, e em favor da PF é preciso esclarecer que ela só faz o que a Justiça Federal manda a pedido do Ministério Público Federal. Acabou absolvido e ninguém o indenizará.

Bis, que não é o do Morumbis, em 2022: no início do jogo, Marconi saiu na frente, como na eleição anterior, mas na parte externa dos estádios Lulão e Bolsonarão. Resultado: Wilder ganhou ritmo já no fim do 2º tempo e o atropelou.

Marconi está junto com os dois. Por enquanto…

A tendência se mantém. Enquanto a pré-campanha presidencial se define, Marconi segue embolado com Daniel e Wilder, mas a briga PSD x UDN, PMDB x PDS e PSDB x PMDB ganhou novos contorno quando Caiado enfrentou uma oposição esquálida, que sumiu durante os mandatos e só reaparecia durante o embate eleitoral, como está acontecendo nestes meses.

Um dos fatores do derretimento de Marconi será o esforço de Caiado para cuidar da herança de suas gestões, assim como o próprio governadoriável do PSDB pretende zelar da sua. Se Daniel perder, Caiado pode até escapar da pecha de ter sido ele o verdadeiro derrotado, mas de uma não vai ficar livre: os novos integrantes do Palácio Pedro Ludovico (sede do Poder Executivo estadual) e do Palácio das Esmeraldas (casa oficial do Chefe do Executivo) estão com sangue nos olhos. Serão quatro anos de porretadas, pois é a nova tática das oposições no Brasil: só critica com ferocidade seus adversários depois que estão no governo.

Deputados de partidos nanicos só ficam com quem vai ganhar

Candidato a deputado estadual e federal é igual a macaco gordo, não pula em galho seco – pode ir ao Parque Areião e observar os Sapajus libidinosus, mais conhecidos como macacos-prego. Se o concorrente aos parlamentos desconfiar que seu candidato a governador não tem a mínima possibilidade de ser eleito, tchau, brigado, siô. A garganta larga é característica da anatomia dos nanicos, como são chamados os partidos de menor expressão eleitoral. Só não engolem perdedores. Há exceções, todas elas da esquerda e de uma esquerda raiz, não a de luxo, que virou comunista depois de o PT ganhar a Presidência da República.

O exemplo mais flamenjante é o da federação PSDB-Cidadania. Até o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmar que Wilder Morais será candidato a governador de Goiás e seu filho Flávio gravar trocentos vídeos confirmando, havia a expectativa de Marconi Perillo ser o único na disputa à altura de Daniel Vilela. Com o lançamento de Wilder na presença do líder nacional do PL, Valdemar Costa Neto, acrescido da filiação da filha de Iris Rezende, Ana Paula Rezende, à vice, os filiados ao Cidadania estão coçando a cabeça com mais frequência que os macaquinhos do Areião. Vão fingir que são botijões de gás e vazar.

É provável que sobrem poucas siglas além das granjeadas pelos chefes dos poderes estaduais Executivo (Ronaldo Caiado) e Legislativo (Bruno Peixoto). Se escapar alguma, será para Wilder, pois a amizade com Marconi até mesmo no Cidadania é insuficiente. Não haverá a expectativa que tem o PT, pois quem perder em Goiás tem ao menos a possibilidade de embolsar uma sinecurazinha mensal num cargo. Sem esperança e sem dinheiro, é complicado. Marconi sabe demais disso, pois de 1999 a 2018 dominou o cenário, chegando a ter a seu lado 21 partidos. Atualmente, conta com dois. E deve ficar só com um. (Especial para O HOJE)

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