sexta-feira, 13 de março de 2026
Evento da Base

Em Jaraguá, Caiado quer mostrar a Kassab força para seguir rumo ao Planalto

Evento da base governista servirá como demonstração de mobilização política do governador, marcará sua filiação ao PSD e lançará pré-candidaturas de Daniel ao governo e Gracinha ao Senado

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 13 de março de 2026
Em Jaraguá, Caiado quer mostrar a Kassab força para seguir rumo ao Planalto
Com grande público em Jaraguá, Caiado quer mostrar a Kassab “que quem tem gente, tem voto”, avalia analista. Foto: Wesley Costa/Secom Goiás

Bruno Goulart

A vinda do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, ao encontro político marcado para este sábado (14), em Jaraguá, deve transformar o evento em uma vitrine de força política do governador Ronaldo Caiado (PSD). Nos bastidores, a avaliação é de que o ato servirá não apenas para consolidar a base governista em Goiás, mas também para demonstrar ao comando nacional do partido a capacidade de mobilização do governador, fator considerado relevante caso o chefe do Palácio das Esmeraldas avance com o projeto de disputar a Presidência da República.

Além da filiação de Caiado ao PSD, a agenda também prevê o lançamento das pré-candidaturas do vice-governador Daniel Vilela (MDB) ao Governo de Goiás e da primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil) ao Senado Federal nas eleições de 2026. Mais de 200 prefeitos, deputados e vereadores da base aliada devem levar caravanas ao município do interior goiano, numa tentativa de garantir grande público ao evento e reforçar a imagem de força do grupo político liderado por Caiado.

Para o estrategista político Marcos Marinho, a presença de Kassab em Jaraguá atende justamente a esse objetivo. “A ida de Kassab a Jaraguá é uma forma de Caiado mostrar força. Ele está mobilizando toda a base, todos os deputados e todos que são pré-candidatos”, afirma ao O HOJE. Nos bastidores há expectativa de forte participação de aliados. “E, pelo que se sabe de bastidores, quem já é deputado e está na base, querendo também fazer média com Caiado, deve levar até ônibus com apoiadores”, destaca.

Na avaliação de Marinho, a demonstração pública de mobilização tem valor político importante, especialmente diante da presença do presidente nacional do PSD. “A presença de Kassab no evento é um momento para tirar muitas fotos e fazer muitas imagens, justamente para mostrar a ele que, pelo menos em Goiás, Caiado tem essa pujança toda de fato.”

O estrategista avalia ainda que o gesto também pode ter repercussão para além do Estado. “Isso pode ser visto, em outros Estados e por outros líderes políticos do Brasil afora, como um gesto real de força política”, afirma.

Quem tem gente, tem voto

A expectativa do grupo governista é que o evento reúna grande público. “A pretensão é que o evento fique absurdamente lotado. Porque quem tem gente tem também maior propensão a ter voto. É exatamente isso que Caiado quer mostrar”, diz Marinho.

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Além da demonstração de força política do governador, o encontro em Jaraguá também deve servir para consolidar o nome de Daniel Vilela como candidato do grupo ao Governo de Goiás em 2026. A presença de Kassab e de outras lideranças da base funciona como sinal de apoio à candidatura do vice-governador, que deve representar a continuidade da base à frente do Estado.

União Brasil em Goiás

Atualmente, o União Brasil está sob influência direta do grupo político do governador, com protagonismo da primeira-dama Gracinha Caiado. Segundo Marcos Marinho, ao menos por enquanto, não há sinais de mudança nesse arranjo interno. “Sobre quem vai comandar o União Brasil em Goiás, por enquanto, o que se comenta é que Gracinha Caiado continua à frente do partido. Mas até quando isso vai durar, ainda não se sabe”, afirma.

Para o estrategista, a permanência do grupo no controle da sigla ocorre também pela ausência de lideranças capazes de disputar espaço dentro do partido. “O União Brasil não tem, hoje, nenhum outro nome de protagonismo ou de grande relevância que possa fazer frente ao Caiado e possa romper com a base caiadista agora.”

Disputa nacional

No plano nacional, entretanto, o cenário político ainda apresenta incertezas que podem influenciar diretamente as alianças nos Estados. Para o cientista político Lehninger Mota, o segundo turno nacional tende a ser entre o presidente Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), como apontam as pesquisas. Nesse cenário, o posicionamento de Caiado em uma eventual segunda etapa da disputa também levanta questionamentos. “Se Caiado não apoiar Flávio Bolsonaro, quem ele apoiaria? Certamente não apoiaria Lula”, observa.

Para Mota, este contexto torna mais difícil a construção antecipada de alianças em Goiás. “A tentativa de construir, já no primeiro turno, uma aliança com o PL para que o partido apoie o candidato de Caiado, Daniel Vilela, acaba sendo um argumento frágil.” Isso ocorre porque o PL já definiu pré-candidatura própria ao governo estadual. “Wilder Morais já lançou inclusive a sua vice, Ana Paula Rezende, filha do ex-governador Iris Rezende”, destaca.

Apesar disso, o cientista político ressalta que o cenário pode mudar ao longo da campanha. “É claro que, no segundo turno, abrem-se novas conversas e as possibilidades voltam a ficar em aberto.” (Especial para O HOJE)

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