Goiás deve registrar queda na produção de grãos em 2026 e perder posição no ranking nacional
Dados do IBGE indicam retração de 5,4% na safra estadual, influenciada por queda de produtividade, atraso das chuvas e redução na janela de plantio da segunda safra
A produção de grãos em Goiás deve registrar queda em 2026, indo na contramão do desempenho observado em boa parte do País. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), apontam que a safra estadual de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 36,8 milhões de toneladas neste ano, o que representa retração de 5,4% em relação a 2025.
No cenário nacional, a expectativa também é de leve recuo, estimado em 0,59%, com produção total de 344,1 milhões de toneladas. Mesmo com a pequena retração, a soja brasileira deve atingir um novo recorde histórico, com estimativa de 173,3 milhões de toneladas.
Em Goiás, porém, o desempenho da principal cultura do Estado deve ser menor. A produção de soja, que ocupa a maior área de cultivo, com cerca de 5,2 milhões de hectares, deve recuar 3,8%, totalizando aproximadamente 19,5 milhões de toneladas em 2026. Apesar de a área plantada apresentar crescimento estimado de 0,9%, o rendimento médio das lavouras deve cair 4,7%, o que explica a redução na produção total.
A retração também deve atingir outras culturas importantes da segunda safra. A produção de milho safrinha tem previsão de queda de 7,4%, resultado da combinação entre diminuição da área plantada, estimada em 1,4%, e redução do rendimento médio em 6,1%. O sorgo segue tendência semelhante: mesmo com aumento de 2,1% na área cultivada, a produtividade menor, com recuo de 9,6%, deve levar a uma safra 7,7% inferior à registrada no ano anterior.
Clima e atraso no plantio influenciaram a safra
Levantamentos técnicos realizados durante a Expedição Safra Goiás 2025/2026 indicam que o atraso no início das chuvas foi um dos principais fatores que afetaram o desempenho das lavouras. O monitoramento, realizado pelo Sistema Faeg/Senar/Ifag em mais de 30 municípios do Estado, identificou que o plantio da soja ocorreu até duas semanas depois do período considerado ideal em várias regiões.
Segundo a avaliação, a irregularidade das chuvas também impactou o desenvolvimento das lavouras, com áreas que receberam precipitações adequadas enquanto outras enfrentaram déficit hídrico no mesmo período. Esse cenário contribuiu para a redução da produtividade média da soja, estimada entre 66,5 e 68,5 sacas por hectare, abaixo da média próxima de 70 sacas registrada na safra anterior.
O atraso no plantio da soja também interfere diretamente na chamada janela ideal da segunda safra. Com o calendário agrícola deslocado, culturas como milho e sorgo ficam mais expostas a períodos de restrição hídrica no final do ciclo, o que aumenta o risco de perdas de produtividade.
Custos elevados pressionam rentabilidade
Além das condições climáticas, os produtores rurais enfrentam um cenário de custos elevados de produção. Levantamento da Expedição Safra aponta que o custo médio da soja em Goiás chega a cerca de 55 sacas por hectare, sem considerar despesas com arrendamento de terras.
Quando o produtor utiliza áreas arrendadas, a margem financeira pode ficar ainda mais apertada. Avaliações do setor indicam que a rentabilidade líquida estimada para a safra 2025/26 gira em torno de 17%, considerada uma das menores dos últimos anos.
Representantes do setor também apontam que os juros elevados e a dificuldade de acesso a mecanismos de proteção, como o seguro rural, têm levado muitos produtores a adotar uma postura mais cautelosa nos investimentos. Essa estratégia inclui redução no uso de tecnologias e insumos em algumas áreas, o que pode impactar diretamente o potencial produtivo das lavouras.
Com a queda na produção prevista para 2026, Goiás também deve perder posição entre os maiores produtores de grãos do País. O Estado, que ocupava a terceira colocação no ranking nacional em 2025, com participação de 11,3% na produção brasileira, deve passar para o quarto lugar neste ano, com participação estimada em 10,7%.
A projeção indica que o Rio Grande do Sul deve ultrapassar Goiás, alcançando cerca de 11,7% da produção nacional. Mato Grosso permanece como líder isolado, concentrando aproximadamente 30,2% da safra brasileira, seguido pelo Paraná, com 13,9%.
Apesar da retração na produção de grãos, algumas culturas devem apresentar desempenho positivo no Estado. A produção de cana-de-açúcar, por exemplo, tem estimativa de crescimento de 2%, podendo atingir 85,8 milhões de toneladas em 2026. O avanço está associado tanto ao aumento da área plantada quanto à melhora no rendimento médio das lavouras.
A produção de laranja também deve registrar expansão, com alta prevista de 9,8%. Nesse caso, o crescimento é impulsionado principalmente pela ampliação da área cultivada, além de ganhos de produtividade observados na cultura.
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