Desunião entre PL e PSD agrada Flávio e prejudica Ratinho Jr.
Especialista avalia a possibilidade de avanço de um candidato de terceira via para o Planalto diante de afastamento entre PL e o governador do Paraná
Uma das três alternativas do PSD nacional para disputar a presidência da República enfrenta um impasse difícil com a direita. O governador do Paraná e pré-candidato ao comando do Executivo federal pelo partido comandado Gilberto Kassab, Ratinho Jr., perdeu o apoio do PL de seu Estado, legenda presidida por Fernando Giacobo e que o governador buscou ao máximo ter boas relações em busca de apoio, caso fosse escolhido como o candidato oficial de seu partido na disputa pelo Governo Federal.
Ratinho Jr. é um dos principais cotados do PSD para concorrer ao Planalto junto com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o chefe do Executivo gaúcho, Eduardo Leite. Bastidores revelam a possibilidade do senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL), estar à frente do rompimento de relações de seu partido com o PSD nos Estados, uma vez que o PL paranaense declarou apoio ao senador Sérgio Moro (UB) que deseja concorrer ao Governo do Paraná e, possivelmente, pode se filiar à sigla de Flávio.
A decisão foi tomada na última quarta-feira (18) após uma reunião entre Moro, que tem aparecido à frente em pesquisas de intenção de voto, e a cúpula do partido. Primogênito do ex-presidente Bolsonaro, Flávio tem buscado costurar acordo com diversos partidos como o PSDB do Ceará e o estabelecimento de ligações com legendas de Rondônia.
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Moro no PL
Analistas políticos avaliam que o interesse de Moro em buscar transferência do UB para o PL se dá devido a problemas enfrentados pelo senador com o PP, partido que compõe federação com o UB.
O jornal Estado de Minas afirmou que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, informou que Moro deve concorrer pelo UB, mas que também há a possibilidade de que ele se filie ao PL. “Vamos apoiar o Moro. Isso está certo. Agora, ele precisa definir a situação dele no União Brasil e no PP. Nós vamos ter que unir todo mundo lá para ele ganhar a eleição no primeiro turno. Senão nós estamos mortos por causa do Ratinho”, completou o presidente nacional do PL.
À par da situação e diante de determinadas limitações em obter apoio no Paraná, Flávio procurou fazer de Moro um aliado, o que fez com que o juíz obtivesse apoio do PL na pré-campanha pelo Executivo paranaense.
Interlocutores pontuam que a dada situação é fortemente desfavorável para Ratinho Jr. que contava com a parceria do PL para alavancar seu nome como pré-candidato do PSD à presidência da República. Analistas afirmam que a polarização presente no cenário político brasileiro não abre espaço para a viabilidade de outras pré-candidaturas avançarem significativamente além da de Lula e de Flávio Bolsonaro.
Viabilidade de uma terceira via
Especialistas fazem alertas acerca da inviabilidade do avanço de um candidatura de terceira via nas eleições presidenciais e ressaltam que o PSD é caracterizado por estabelecer ligações com partidos de centro, mas na prática o que ocorre é defesa de pautas de direita por parte da sigla liderada por Kassab.
O sociólogo e analista político Jones Matos analisa a possibilidade de avanço de um candidato de terceira via e pontua características adotadas pelo PSD. “Vejo muita dificuldade na viabilização de uma terceira via, até mesmo porque o PSD é apenas um verniz que tenta dialogar com o centro quando na verdade as pautas são da direita, espectro que já estão engajados na campanha do candidato do PL que disputou o Governo Federal”.
O estudioso em política avalia possíveis caminhos a serem percorridos pelo PSD durante as eleições para o Executivo Federal. “O PSD pode, futuramente, não lançar candidato e liberar os Estados [diretórios estaduais] para direcionarem apoio a quem acharem conveniente”, pontua Matos em entrevista ao O HOJE.