quinta-feira, 14 de maio de 2026
Apoio financeiro

Municípios cobram respaldo de Lula após reajuste no piso de categorias

“Não somos contra nenhum tipo de piso de nenhum profissional. Somos contra a imposição de um piso pelo Planalto sem a devida contraprestação”, diz presidente da AGM

Marina Moreirapor Marina Moreira em 19 de março de 2026
Prefeitos
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante edição passada da Marcha dos Prefeitos - Créditos: Ricardo Stuckert/PR

O atrito entre municípios, sobretudo os goianos, com o Governo Federal segue em processo de intensificação quando o assunto é imposição do reajuste salarial em áreas como educação e saúde. Gestores municipais criticam a pressão do Executivo federal em torno desse assunto, uma vez que as cidades têm tido dificuldades em encontrar meios para efetuar o pagamento relativo ao piso salarial de professores da educação básica, por exemplo. 

A exigência dos municípios está voltada na busca por apoio financeiro do Governo Federal após o reajuste de 5,4% no piso salarial do magistério, assinado este ano pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tal ação provocou forte reação da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), que encaminhou ofício ao presidente e ao ministro da Educação, Camilo Santana, e solicitou assistência financeira complementar da União para garantir o pagamento dos salários-base. 

Municípios
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante reunião com o ministro da Educação, Camilo Santana, para assinatura de mensagem ao Congresso Nacional de encaminhamento da MP do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério Público da Educação Básica – Créditos: Ricardo Stuckert/PR

Prefeitos afirmam que faltou “sensibilidade” por parte do Planalto, pois o pagamento dos salários dos professores é feito via caixa dos municípios. Desde o anúncio da medida provisória, os prefeitos criticam o aumento de 5,4% para 2026 e, pelo cálculo utilizado até então, o reajuste aos professores seria de 0,37%. 

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Ações do Congresso 

Desde 2020, o Congresso Nacional passou a exigir que os Estados e municípios passassem a destinar no mínimo 70% dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) para o pagamento dos profissionais da educação. 

Municípios
Congresso nacional – Créditos: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

No mesmo ano, no entanto, um estudo mostrou que oito em cada dez cidades já usavam todo o dinheiro do fundo para pagar os professores. Um espaço utilizado por prefeitos para fazer reivindicações ao Governo Federal é a Marcha à Brasília em Defesa dos Municípios, que é realizada anualmente e é organizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). 

Marcha dos Prefeitos

Neste ano, o protesto ocorrerá em maio. De acordo com o prefeito de Hidrolândia e presidente da Associação Goiana de Municípios (AGM), José Délio Júnior (UB), um dos principais assuntos que serão pautados pelos gestores municipais é sobre a imposição do Governo para que os municípios cumpram o piso salarial. 

O presidente da AGM reitera que os prefeitos goianos não são contra nenhum tipo de piso, porém, algo que é problemático para os municípios é a cobrança para o cumprimento do pagamento do piso sem auxílio por parte do Planalto. “A pauta da Marcha dos Prefeitos deste ano é a crise financeira que os municípios vivem diante de tamanha imposição de pisos salariais sem a devida contraprestação aos municípios”, afirma Zé Délio em entrevista ao O HOJE. 

Municípios
Prefeito de Hidrolândia e presidente da AGM, José Délio Jr. – Foto: Divulgação Facebook

O problema não é o piso

O prefeito de Hidrolândia diz não ser contra a imposição do piso, já que o trabalho realizado por profissionais é algo essencial e importante para qualquer gestão governamental. “Nós não somos contra nenhum tipo de piso de nenhum profissional, tendo em vista que todos eles ajudam e somam em uma gestão. O que nós somos contra é criar imposição de um piso e não dar a devida contraprestação para que os municípios possam cumprir com a obrigação imposta pelo governo”, ressalta o prefeito. 

O presidente da AGM relata que, a cada dia que passa, as cidades enfrentam mais dificuldades e cobranças. Segundo José Délio, é nos municípios que estão os problemas que mais atingem diretamente a população. “Nós estamos passando por mais dificuldades, mais imposições. A população vive nas cidades. É lá que a barriga dói, o buraco da rua abre, a lâmpada queima, o mato cresce, que o lixo acumula. Nós precisamos dar respaldo à população e não estamos tendo a devida garantia da União nesse sentido”, completa o prefeito de Hidrolândia. (Especial para O HOJE)

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