sexta-feira, 20 de março de 2026
RECUO ECONÔMICO

EUA devem flexibilizar sanções sobre petróleo iraniano

Secretário do Tesouro afirma que os EUA podem suspender sanções nos próximos dias, em meio à alta global do petróleo

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 20 de março de 2026
Segundo o secretário, a ação pode manter os preços do petróleo estáveis pelos próximos 10 a 14 dias
Segundo o secretário, a ação pode manter os preços do petróleo estáveis pelos próximos 10 a 14 dias (Foto: Reprodução/ @SecScottBessent)

Os Estados Unidos podem suspender em breve as sanções sobre o petróleo iraniano que permanece retido em navios-tanque no mar. A informação foi confirmada pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, nesta quinta-feira (19), que estimou o volume em aproximadamente 140 milhões de barris.

“Nos próximos dias, poderemos suspender as sanções ao petróleo iraniano que está ancorado no mar. São cerca de 140 milhões de barris”, disse Bessent a Fox Business Network. Ele acrescentou que a medida ajudaria a manter os preços do petróleo sob controle pelos próximos 10 a 14 dias.

Nos últimos dias, o petróleo tem registrado preços acima de US$ 100 por barril, reflexo do conflito no Oriente Médio que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã e de ataques a navios-tanque na região. Nesta quinta-feira, o país lançou ataques a instalações de produção de combustíveis em resposta a ações de Israel contra o campo de gás South Pars, considerado o maior do mundo.

Medida se assemelha a retirada de sanções do petróleo russo

Medidas semelhantes já haviam sido aplicadas para o petróleo russo sancionado, liberando temporariamente cerca de 130 milhões de barris e aumentando a oferta global. Medida condenada por líderes europeus, que temem que a Rússia seja favorecida comercialmente em meio a guerra contra a Ucrânia. “A crescente pressão econômica sobre a Rússia é decisiva para que ela aceite uma negociação séria em busca de uma paz justa e duradoura”, disse o presidente do Conselho Europeu, António Costa, na época em que a ação foi anunciada.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou nesta sexta-feira (20) que o país não depende da importação de petróleo para seu consumo interno e, por isso, está menos vulnerável a choques na oferta. Ele ressaltou, porém, que a Ásia é a região mais afetada pelo conflito, e que a liberação do petróleo iraniano poderia reabastecer rapidamente os mercados locais.

“Em questão de dias, em três ou quatro dias, esse petróleo começará a chegar aos portos”, disse Wright à Fox Business, lembrando que os Estados Unidos colaboram com a Agência Internacional de Energia (AIE) na liberação de reservas estratégicas. Na quinta-feira a AIE informou que os países-membros começaram a liberar 426 milhões de barris armazenados.

Trump chama aliados da Otan de “covardes”

Enquanto isso, o presidente Donald Trump criticou aliados da Otan nesta sexta-feira, afirmando que não participam da operação militar contra o Irã nem ajudam a reabrir o Estreito de Ormuz. Em publicação na rede social Truth Social, Trump classificou os aliados de “covardes”. Na quinta-feira, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, já havia chamado aliados europeus de “ingratos”.

Presidente dos EUA critica aliados da Otan e afirma que são “covardes”
Presidente dos EUA critica aliados da Otan e afirma que são “covardes” (Foto: Divulgação/ Casa Branca)

“Sem os EUA, a OTAN é um tigre de papel! Eles não quiseram entrar na luta para impedir um Irã com capacidade nuclear. Agora que essa luta está vencida militarmente, com muito pouco risco para eles, reclamam dos altos preços do petróleo que são obrigados a pagar, mas não querem ajudar a abrir o Estreito de Ormuz — uma manobra militar simples que é a principal razão para os altos preços do petróleo”, escreveu Trump.

Apesar das críticas, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão se declararam prontos para colaborar na reabertura do Estreito de Ormuz, rota vital para a circulação de cerca de 20% do petróleo consumido globalmente.

Após sinais de que medidas estão sendo adotadas para conter a crise energética, o preço do petróleo perdeu força. No entanto, os valores continuam elevados em comparação ao período anterior à escalada do conflito, que começou em 28 de fevereiro com ataques entre EUA e Israel em Teerã.

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