segunda-feira, 23 de março de 2026
Saúde

Goiânia avança na saúde pública com proposta de centro para tratamentos com cannabis medicinal

Projeto que autoriza criação de unidade para tratamento com cannabis medicinal, inclui atendimento gratuito, multidisciplinar e acesso controlado a medicamentos pelo SUS

Letícia Leitepor Letícia Leite em 23 de março de 2026
10 abre Centro Municipal de Tratamentos com Cannabis Medicinal Foto Freepik
Texto segue agora para análise do Executivo municipal. Foto: Freepik

O Plenário da Câmara de Goiânia aprovou, em definitivo, na última quarta-feira (18), o projeto de Lei (PL 103/2024) que autoriza a criação do Centro Municipal de Tratamentos com Cannabis Medicinal (CMTCM). A proposta, de autoria do vereador Lucas Kitão (União Brasil), segue agora para sanção ou veto do prefeito Sandro Mabel.

Esta é a quinta iniciativa apresentada pelo parlamentar sobre o tema que avança na Casa. O texto tem origem em pesquisa acadêmica desenvolvida por Kitão e amplia políticas públicas já existentes voltadas ao uso terapêutico da cannabis na Capital.

A proposta estabelece a criação de uma unidade física destinada a concentrar o atendimento de pacientes com doenças crônicas que utilizam derivados da cannabis para fins medicinais. O acesso aos tratamentos ocorrerá mediante prescrição médica, registro no centro e consentimento do paciente ou de seu responsável legal.

O CMTCM oferecerá atendimento multidisciplinar, com participação de médicos, psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros e nutricionistas. Além da dispensação dos medicamentos, o centro deverá garantir acompanhamento integral, com terapias complementares indicadas conforme a necessidade de cada paciente.

O projeto prevê acesso gratuito a medicamentos à base de cannabis já utilizados em diferentes países, além de assegurar controle de qualidade e segurança na distribuição. A iniciativa também inclui a capacitação de profissionais da rede pública de saúde, com foco na prescrição e no acompanhamento dos tratamentos.

Outro ponto destacado no texto é o estímulo à pesquisa científica. O centro deverá firmar parcerias com instituições de ensino e pesquisa para o desenvolvimento de estudos clínicos que ampliem o conhecimento sobre a eficácia e a segurança dos tratamentos com cannabis medicinal.

Para viabilizar o funcionamento, o projeto indica que os recursos virão de dotações orçamentárias próprias do município, além de convênios com os governos estadual e federal e parcerias com entidades públicas e privadas. Doações também poderão complementar o financiamento da estrutura.

Alto custo dos medicamentos à base de cannabis limita acesso

Segundo o autor da proposta, o alto custo dos medicamentos à base de cannabis ainda limita o acesso de grande parte da população. Por isso, a prioridade inicial do centro deverá contemplar pacientes cadastrados no Cadastro Único (CadÚnico), com foco em famílias de baixa renda.

Kitão defende que o modelo proposto integra diferentes abordagens terapêuticas e amplia o alcance do tratamento. “A ideia do centro é justamente como forma de tratamento transversal, onde a pessoa vai ter a entrega dos medicamentos, mas vai ter também acompanhamento psicológico, nutricional, psiquiátrico, fisioterapia, educação física, e todas as especialidades que envolvem tratamentos”, afirmou Lucas à Tv Câmara de Goiânia.

O vereador também citou resultados positivos do uso da cannabis medicinal em tratamentos de doenças como fibromialgia, especialmente quando associada a outras práticas, como atividade física e acompanhamento clínico contínuo.

A Procuradoria-Geral do Município (PGM) informou que aguarda o envio oficial do projeto para análise detalhada sobre aspectos jurídicos e legais. Caso seja sancionada, a proposta colocará Goiânia entre as cidades que avançam na regulamentação e ampliação do acesso à cannabis medicinal no sistema público de saúde.

Para o autor, a criação do centro representa um passo importante para consolidar a Capital como referência na área. A expectativa é de que a iniciativa amplie o acesso a tratamentos inovadores, com respaldo científico e acompanhamento especializado, dentro da estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS).

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