Plantas comuns podem representar risco à saúde de crianças e animais
Planta popular, a coroa-de-cristo (Euphorbia milii), libera uma seiva branca que pode provocar irritações na pele e nos olhos
Apesar de amplamente utilizadas na decoração de jardins e quintais, algumas plantas populares no Brasil podem oferecer riscos à saúde. Especialistas alertam que determinadas espécies possuem substâncias químicas capazes de provocar irritações, intoxicações e até alterações cardíacas quando ingeridas ou manipuladas de forma inadequada.
O cuidado deve ser redobrado em residências com crianças e animais domésticos. Segundo o biólogo Carlos Eduardo, esses grupos estão entre os mais vulneráveis, já que tendem a explorar o ambiente com mais curiosidade, podendo entrar em contato com folhas, frutos ou seiva das plantas.
De acordo com o especialista, diversas espécies ornamentais pertencem a famílias botânicas conhecidas por concentrarem compostos tóxicos naturais, como araceae, apocynaceae, euphorbiaceae, solanaceae e rubiaceae. Os efeitos da exposição podem variar conforme a planta e a quantidade ingerida ou manipulada.
A recomendação é que moradores busquem informações sobre as espécies cultivadas em casa e adotem medidas preventivas para evitar acidentes, especialmente em ambientes frequentados por crianças e pets.
Algumas espécies que podem apresentar riscos
Espécies amplamente utilizadas na decoração de casas e jardins no Brasil podem representar riscos à saúde devido à presença de substâncias tóxicas. Entre as mais conhecidas está a comigo-ninguém-pode, que possui cristais de oxalato de cálcio capazes de provocar irritação intensa na boca e na garganta, além de inchaço, salivação excessiva e dificuldade para engolir quando mastigada.
O lírio-da-paz, também comum em ambientes internos, apresenta compostos semelhantes e pode causar ardência, inflamação e irritações até mesmo com o simples contato. Já a espirradeira (Nerium oleander), frequentemente usada no paisagismo urbano, contém glicosídeos cardíacos em toda a sua estrutura, substâncias que podem comprometer o funcionamento do coração em caso de ingestão.
Outra planta popular, a coroa-de-cristo (Euphorbia milii), libera uma seiva branca que pode provocar irritações na pele e nos olhos. A mamona (Ricinus communis), por sua vez, possui sementes com ricina, uma toxina potente associada a quadros graves de intoxicação.
Também entram na lista espécies como a erva-do-diabo e a trombeta, conhecidas por produzirem alcaloides tóxicos que podem causar alucinações, confusão mental e alterações neurológicas. Já a erva-de-rato, considerada uma das mais perigosas do país, contém ácido monofluoracético, substância que pode levar à morte súbita de animais.
Mesmo com potencial tóxico, diversas plantas continuam sendo amplamente utilizadas na decoração de casas e jardins. De acordo com o biólogo Carlos Eduardo, a popularidade dessas espécies está ligada não apenas à aparência, mas também à resistência e à facilidade de manutenção, fatores que favorecem seu uso ornamental.
Apesar disso, especialistas ressaltam que a presença dessas plantas não representa, necessariamente, um risco constante. Em geral, os problemas ocorrem em situações específicas, como ingestão acidental ou contato direto com partes tóxicas.
A orientação é que o cultivo seja acompanhado de informação e cuidados básicos, especialmente em ambientes com crianças e animais domésticos, considerados mais vulneráveis a esse tipo de exposição.
Identificação de plantas é principal medida para prevenir intoxicações em casa
A identificação correta das plantas cultivadas em ambientes domésticos é apontada como a principal forma de prevenir acidentes. Especialistas alertam que não é possível reconhecer espécies tóxicas apenas pela aparência, já que muitas delas podem parecer inofensivas.
De acordo com o biólogo Carlos Eduardo, a orientação é que moradores busquem informações seguras sobre as plantas presentes em casa, utilizando aplicativos, livros especializados ou consultando profissionais. O conhecimento do nome científico das espécies também facilita o acesso a dados confiáveis sobre possíveis riscos.
Além da prevenção, especialistas defendem a valorização de plantas nativas no paisagismo. O Brasil possui grande diversidade de espécies originárias de biomas como Cerrado e Mata Atlântica, que podem substituir plantas exóticas comuns em jardins.
Segundo os especialistas, essa substituição pode, em alguns casos, reduzir riscos e ainda trazer benefícios ambientais, como a atração de aves e polinizadores, contribuindo para o aumento da biodiversidade.