Disputa por nomes e falta de candidatos dificultam formação de chapas
Prazo final de janela pressiona partidos, que ainda tentam fechar listas com nomes competitivos para deputado federal e estadual
Bruno Goulart
A poucos dias do fim do prazo da janela partidária, marcado para 4 de abril, partidos enfrentam dificuldades para montar suas chapas para as eleições proporcionais em Goiás. O principal problema é a falta de candidatos competitivos, o que tem gerado um cenário de incerteza e até sobreposição de nomes, com pré-candidatos que aparecem em mais de uma lista de apostas ao mesmo tempo.
Muitos políticos continuam a analisar qual partido oferece mais chances de eleição. Hoje é comum ver um mesmo pré-candidato em até três listas diferentes. A expectativa é de que o cenário só se organize de fato após o encerramento da janela partidária, que permite a deputados estaduais e federais a mudança de sigla sem correr o risco de perda do mandato por infidelidade partidária.
MDB
No MDB, por exemplo, a situação parece um pouco mais organizada, mas ainda exige ajustes. Para deputado federal, o partido conta com nomes de peso, como o congressista Célio Silveira, além dos estaduais Lucas do Vale e Lucas Calil, este último ainda no Solidariedade, e dos vereadores por Goiânia Igor Franco e Lucas Vergilio. Já a deputada Marussa Boldrin pode deixar o partido ou permanecer, o que ainda não está definido. Para deputado estadual, o MDB aposta em parlamentares que já têm mandato, como Amilton Filho, Charles Bento, Lineu Olímpio e Issy Quinan.
Mesmo assim, a direção do partido, que é chefiado em Goiás pelo vice-governador Daniel Vilela, afirma que pretende lançar chapa completa. Segundo o ex-deputado federal e suplente de senador Pedro Chaves, a meta é ter 18 candidatos a deputado federal, com seis mulheres, e 42 postulantes a deputado estadual, com 14 mulheres. A ideia é garantir volume de candidaturas para aumentar as chances de eleição.
Federação PRD e Solidariedade
Na federação entre PRD e Solidariedade, a meta é a mesma: chapas completas, com 18 nomes para federal e 42 para estadual. O objetivo do grupo é eleger ao menos três deputados federais e seis estaduais. Entre os principais nomes está o presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto, que deve disputar vaga de deputado federal. O deputado estadual Lucas Calil também aparece como pré-candidato a federal, mas ainda é citado em articulações com o MDB, o que mostra a disputa entre partidos por nomes mais fortes.
Para uma possível terceira vaga na Câmara dos Deputados, cerca de dez pré-candidatos ainda disputam espaço dentro da federação, o que mostra que o grupo trabalha para consolidar nomes com força eleitoral.
Na disputa para deputado estadual, quatro parlamentares devem tentar a reeleição: Wagner Neto, Anderson Teodoro, Alessandro Moreira e Coronel Adailton. Internamente, a expectativa é de que Wagner Neto seja o único a ultrapassar a marca de 25 mil votos. Outros nomes, como o ex-deputado Doutor Antônio e os ex-vereadores Bill Guerra Mochilink e Doutora Cristina Lopes, também aparecem na lista.
Cenário de preocupação
Apesar dos esforços, o cenário é de preocupação. O presidente estadual do Solidariedade, Denes Pereira, afirma ao O HOJE que há uma queda significativa no número de candidatos em relação às últimas eleições. “Está tendo um problema grave. Não tem candidato. Por isso, o desespero das chapas”, afirma.
Denes explica que, em 2018, houve cerca de 800 candidatos a deputado estadual. Em 2022, esse número caiu para cerca de 400. Agora, segundo o dirigente do Solidariedade, não deve chegar a 200 em todo o Estado. Além disso, poucos candidatos conseguem atingir votações mais altas. “Na última eleição, não tivemos mais de 30 candidatos com mais de 30 mil votos”, observa.
Esse cenário impacta diretamente na estratégia dos partidos. Segundo Denes, para eleger dois deputados federais foram necessários 277 mil votos na eleição passada. Para eleger um terceiro, seria preciso chegar perto de 400 mil votos. Por isso, a aposta tem sido montar chapas completas, mesmo com candidatos de menor votação individual. “É mais fácil atingir o objetivo com mais nomes. Trabalhamos com um teto de até 25 mil votos para eleger deputado estadual e 40 mil para federal”, pontua. (Especial para O HOJE)