Em meio à alta do preço dos combustíveis, Boulos recebe caminhoneiros no Planalto nesta quarta (25)
Boulos articula diálogo no Planalto enquanto equipe econômica negocia subsídio com estados para conter impacto dos combustíveis
Em meio à escalada no preço dos combustíveis e à pressão do setor de transporte, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), recebe nesta quarta-feira (25), no Palácio do Planalto, em Brasília, representantes de caminhoneiros para discutir medidas que reduzam os custos da atividade e garantam maior previsibilidade de renda. O encontro ocorre no contexto das ações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para conter os impactos econômicos da alta do diesel.
A reunião, confirmada pelo próprio ministro, deve abordar reivindicações centrais da categoria, como o valor dos combustíveis, o preço do frete e as condições de trabalho nas rodovias. Integrantes do governo avaliam que a estratégia é estabelecer um canal direto de negociação com os caminhoneiros, em um momento de insatisfação crescente no setor.
No campo econômico, o Palácio do Planalto tem buscado alternativas para frear a alta do diesel. Entre as medidas já anunciadas por Lula estão a isenção de tributos federais e a concessão de subvenção a produtores e importadores do combustível, além da criação de uma taxação sobre a exportação de petróleo. Apesar disso, entidades do transporte afirmam que os efeitos ainda não chegaram ao consumidor final, com preços mantendo trajetória de alta nos postos.
Nesta terça-feira (24), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, detalhou uma nova proposta de subsídio ao diesel importado. A iniciativa prevê um incentivo de R$ 1,20 por litro até o fim de maio, sendo metade financiada pela União e metade pelos estados. O modelo em negociação dispensa, neste momento, a necessidade de zerar o ICMS.
Paulo João Estausia, conhecido como Paulinho do Transporte. É presidente da CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística), que representa cerca de 17 milhões de trabalhadores dos modais de transporte, e presidente do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba – que abrange 44 municípios e representa aproximadamente 18 mil trabalhadores.
Quem vai participar da reunião:
Luciano Santos de Carvalho. É presidente do Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista e Vale do Ribeira).
Carlos Alberto Litti. É diretor e porta-voz da CNTTL e presidente do SINTAC-Ijuí (Sindicato dos Transportadores Autônomos de Ijuí-RS), que representa 15 mil trabalhadores, e ainda é presidente da COOTAC (Cooperativa dos Transportadores Autônomos de Cargas).
Vantuir José Rodrígues. É presidente do Sinditac (Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas) de Goiânia e também é diretor na CNTTL.
Romero Costa. É diretor no Sindicam. Nas eleições de 2024, candidatou-se ao cargo de vereador pelo PP, ficando de suplente.
Cleber Costa. É diretor operacional no Sindicam.
Categoria decidiu não fazer greve nacional. Em assembleia em Santos, os caminhoneiros aceitaram aguardar sete dias e, passado esse período, reavaliar o cenário.
A proposta será discutida pelos secretários estaduais de Fazenda em reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), marcada para sexta-feira (27). A expectativa do governo é obter adesão dos estados para viabilizar a política de contenção de preços, considerada estratégica diante dos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado internacional de combustíveis.