Calçados vivem nova era no Brasil com boom sustentável e mudança no consumo
Setor deve sair de US$ 4,4 bilhões em 2025 para US$ 5,9 bilhões até 2034, impulsionado por consumo e inovação.
O mercado de calçados no Brasil vive uma fase de transformação impulsionada por inovação, mudanças no consumo e avanço da agenda sustentável. O setor, que movimentou cerca de US$ 4,4 bilhões em 2025, deve alcançar US$ 5,9 bilhões até 2034, segundo projeções da IMARC Group, mantendo crescimento médio anual de 3,22%. Mais do que expansão, o movimento revela uma reconfiguração da indústria, com novos modelos de produção, consumo e distribuição.
Crescimento sustentado por consumo e renda
O avanço do setor está diretamente ligado à alta demanda doméstica e ao aumento da renda disponível. O Brasil, com mais de 200 milhões de consumidores, mantém um dos maiores mercados internos do mundo, favorecendo a indústria calçadista.
No cenário global, a tendência é ainda mais robusta. De acordo com a Fortune Business Insights, o mercado mundial de calçados deve ultrapassar US$ 500 bilhões já em 2026, impulsionado pela urbanização, expansão da classe média e crescimento do comércio eletrônico.
Além disso, relatórios da Research and Markets apontam que o avanço do modelo direct-to-consumer (D2C) e a maior competitividade entre marcas têm acelerado a inovação e reduzido custos ao consumidor final.

Sustentabilidade redefine a indústria
Um dos principais vetores de transformação do setor é a sustentabilidade. A crescente preocupação ambiental tem levado empresas a substituir o couro por materiais alternativos, além de investir em processos produtivos mais eficientes e com menor impacto ambiental.
Hoje, grande parte dos calçados produzidos já utiliza insumos sintéticos, recicláveis ou de menor impacto, alinhando a produção às práticas ESG. A mudança não é apenas ambiental, mas também estratégica, reduzindo custos e ampliando a escala produtiva.
Especialistas apontam que a sustentabilidade deixou de ser diferencial competitivo e passou a ser exigência do consumidor, especialmente entre públicos mais jovens e urbanos.
Novo perfil de consumo favorece produtos casuais
O comportamento do consumidor também mudou. Calçados casuais e esportivos, como tênis, lideram o crescimento global e nacional, impulsionados pelo conforto e pela versatilidade.
Esse movimento reduz a dependência de materiais tradicionais, como o couro, e fortalece o uso de alternativas mais acessíveis. Fatores como preço, design e praticidade passaram a ter maior peso na decisão de compra.
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Além disso, o e-commerce ampliou o alcance das marcas, permitindo que empresas regionais disputem espaço com grandes players, em um ambiente cada vez mais digital e competitivo.
Goiás acompanha expansão e fortalece varejo regional de calçados
No contexto regional, Goiás acompanha o crescimento do setor, com destaque para o fortalecimento do varejo em cidades como Goiânia. A capital se consolida como polo comercial, com aumento na oferta de lojas multimarcas, franquias e operações digitais.
O avanço está ligado ao crescimento populacional, à urbanização e ao aumento do consumo na região Centro-Oeste. Além disso, a logística estratégica do estado favorece a distribuição de produtos para diferentes regiões do país.
Empresas locais e redes nacionais têm ampliado investimentos, acompanhando a tendência de diversificação de portfólio e adoção de práticas mais sustentáveis.

Desafios futuros de calçados passam pelo pós-consumo
Apesar do crescimento, o setor enfrenta novos desafios. Um dos principais é a gestão do ciclo de vida dos produtos, especialmente no que diz respeito ao descarte e à reciclagem.
A tendência global aponta para a necessidade de soluções que envolvam reaproveitamento de materiais, economia circular e redução de resíduos. O tema já começa a ganhar espaço nos relatórios internacionais e deve orientar os próximos investimentos da indústria.
Ao mesmo tempo, a busca por eficiência produtiva e preços competitivos continuará sendo determinante para o crescimento do mercado. Nesse cenário, o setor de calçados se posiciona como um dos mais dinâmicos da economia, combinando inovação, escala e adaptação às novas demandas do consumidor.