Guerra no Irã entra no 2º mês entre ameaças e contradições
Trump ameaça atacar infraestrutura do iraniana enquanto Teerã rejeita pressão e nega negociação direta com Washington
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã entrou no segundo mês cercada por sinais contraditórios de negociação e por uma escalada no tom das declarações de Washington. Enquanto o governo norte-americano afirma avançar em conversas para encerrar o conflito, novas ameaças militares indicam aumento da pressão sobre Teerã.
Nesta segunda-feira (30), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que poderá atingir diretamente a infraestrutura estratégica iraniana caso não haja um acordo em curto prazo. Entre os alvos citados estão usinas de energia, campos de petróleo e a ilha de Kharg, responsável por grande parte das exportações do país. O presidente também condicionou qualquer recuo à reabertura total do Estreito de Ormuz, rota essencial para o fluxo global de petróleo.
A ameaça foi acompanhada por uma sinalização de que os Estados Unidos estariam negociando com um “novo e mais razoável” regime iraniano. O líder norte-americano ainda afirmou que “isso [destruição da infraestrutura estratégica iraniana] será uma retaliação pelos muitos soldados e outros que o Irã massacrou e matou ao longo dos 47 anos de “reinado de terror” do antigo regime”.

Governo iraniano nega negociações diretas com EUA
No entanto, a versão norte-americana contrasta com a posição do Irã. Mais cedo nesta segunda, antes das ameaças de Trump, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, rejeitou a proposta de Washington e afirmou que ela é “fora da realidade, desproporcionais e excessivas”. Segundo ele, não há negociação direta entre os países, apenas troca de mensagens por intermediários. “Não sei quantos, nos EUA, levam a sério a alegada diplomacia americana! O Irã teve sua posição clara desde o início da guerra, ao contrário da outra parte”, afirmou.
A divergência se intensifica porque, no domingo (29), Trump havia afirmado que as conversas avançavam. Em entrevista ao Financial Times, o presidente disse que um acordo poderia ser fechado rapidamente e indicou que o diálogo ocorre com mediação do Paquistão.
Trump vê circulação no Estreito de Ormuz como avanço diplomático
No centro das tensões está o Estreito de Ormuz. A passagem de navios foi afetada desde o início do conflito, contribuindo para a alta dos preços do petróleo no mercado internacional. O governo norte-americano se opõe à tentativa do país persa de estabelecer um sistema de pedágio na região, mas afirma que a circulação recente de petroleiros reflete avanços diplomáticos.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que o trânsito de embarcações é resultado de negociações diretas e indiretas conduzidas pelos Estados Unidos. Segundo ela, esse movimento não ocorreria sem a atuação do governo norte-americano, que busca garantir a reabertura plena da rota.
Ao mesmo tempo, Leavitt reforçou que as ameaças feitas por Trump têm como objetivo pressionar Teerã a aceitar um acordo. Questionada sobre possíveis ataques a estruturas civis, como usinas de dessalinização, afirmou o “governo e as Forças Armadas dos Estados Unidos sempre agirão dentro dos limites da lei, mas, no que diz respeito à concretização dos objetivos da Operação Epic Fury, o presidente Trump seguirá em frente sem hesitar e espera que o regime iraniano feche um acordo com o governo”.
Em outra frente, a Casa Branca indicou que o governo estuda dividir os custos da guerra. Pela primeira vez, foi mencionada a possibilidade de solicitar apoio financeiro a países árabes, sem detalhamento de quais seriam os envolvidos ou como essa participação ocorreria.