Governo e pré-campanha: desafios de Daniel ao conciliar as duas agendas
Continuidade da atual gestão e acompanhamento na formação de nominatas aparecem como principais missões administrativas e políticas do emedebista
A partir desta terça-feira (31), o vice-governador Daniel Vilela (MDB) inaugurará uma nova fase de sua trajetória política. Trata-se da conciliação de afazeres administrativos, ligados ao cargo de governador de Goiás, juntamente com compromissos relacionados à agenda de pré-campanha, com foco no comando do Palácio das Esmeraldas.
Em cerimônia formal prevista para ocorrer na tarde do dia 31 de março na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), o emedebista e vice do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), assumirá oficialmente o comando do Executivo estadual.

As primeiras ações de Daniel como governador a partir de sua posse podem dar pistas sobre como será o andamento da gestão do governo nas mãos do emedebista. O novo governador tem dito que não pretende fazer mudanças na estrutura governamental já posta e apoiada por ampla maioria dos goianos que, por meio de pesquisas, demonstram a aprovação da atual gestão estadual.
O intuito é manter a equipe do jeito que está e entrar em comum acordo com membros do governo que desejam deixar o cargo para disputar as eleições de outubro. Os marcos desta semana são relativos ao prazo final que os partidos estão submetidos para permitir a entrada e saída de parlamentares das siglas, a chamada “janela partidária”.
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Nesse intervalo, deputados federais, estaduais e distritais podem trocar de legenda sem correr o risco de perder o mandato por infidelidade partidária. Tal etapa é considerada estratégica para reorganizar bancadas e reposicionar forças políticas de olho na eleição.

Atenção às nominatas
De acordo com o mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé, um dos primeiros passos que Daniel deve trilhar como pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas é focar na formatação das chapas para deputados federais e estaduais dos partidos que formam a base governista em Goiás como o MDB, PSD e UB.
Fontes próximas ao Governo afirmam que diversas siglas têm sentido falta de uma participação mais ativa por parte dos governantes no que diz respeito à formação de nominatas para deputados tanto no âmbito estadual quanto no federal.
“Essas movimentações dos últimos dias implicam uma maior presença do Caiado e do Daniel para atender a interesses, para apaziguar possíveis descontentamentos. Daniel precisa se preocupar com a questão [das nominatas] enquanto pré-candidato.”

O analista político pontua a necessidade de não desagradar aliados históricos e nem deixar de receber novos interessados na base eleitoral em função da ausência de espaço ou devido a uma má distribuição de nomes para disputar a Assembleia Legislativa ou a Câmara dos Deputados.
Zancopé também ressalta a importância da continuidade da presença de Daniel no interior goiano, que abrange um eleitorado estratégico. “Segue sendo de muita importância a presença no interior, porque as pessoas vão querer ter mais contato com os pré-candidatos”, avalia.
Manutenção da agenda governamental
Do ponto de vista administrativo, Zancopé alerta para a manutenção da agenda governamental construída por Caiado, assim como para a continuidade das entregas. “É necessário manter a administração eficiente, eficaz e o zelo da máquina pública, algo feito por Ronaldo Caiado. Isso precisa ser uma política de Estado agora. Do ponto de vista da administração, o Governo de Goiás avançou muito.”

Aliados de Daniel e Caiado destacam como algo essencial o discurso defendido há tempos pelo emedebista, que é o de dar continuidade à gestão caiadista. Em concordância com esse raciocínio, Zancopé diz que Daniel não precisa traçar novas prioridades por agora.
“Enquanto governador, Daniel não pode passar uma imagem que remete à formação de uma nova gestão. As prioridades que já foram construídas ao longo dos últimos anos, agora precisam ser concluídas. Se for para pensar em uma nova gestão, isso deve ficar para o próximo ano”, explica o analista político em entrevista ao O HOJE. (Especial para O HOJE)