Ibaneis e Cláudio Castro entram na mira da CPI após renúncias
Ex-governadores podem ser convocados a depor no Senado em investigação sobre crime organizado
A CPI do Crime Organizado do Senado aprovou, nesta terça-feira (31), a convocação dos ex-governadores Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, e Cláudio Castro, do Rio de Janeiro. A decisão ocorreu em votação simbólica. Ambos deixaram os cargos nos últimos dias para disputar vagas no Senado nas eleições de outubro. Com a renúncia, deixaram de ter a prerrogativa que impedia governadores em exercício de serem convocados por comissões parlamentares de inquérito.
Os requerimentos foram apresentados pelo relator da comissão, o senador Alessandro Vieira, que defende a oitiva dos dois ex-chefes do Executivo estadual para esclarecer aspectos institucionais e administrativos ligados a investigações sobre lavagem de dinheiro e o financiamento de organizações criminosas.
Relações comerciais sob análise
No caso de Ibaneis Rocha, o pedido de convocação busca apurar, segundo o relator, “sob a perspectiva institucional e administrativa”, as circunstâncias em que ocorreram relações comerciais entre o escritório de advocacia fundado por ele e empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro associadas ao crime organizado.
Registros já divulgados apontam que o escritório vendeu R$ 85,5 milhões em honorários para fundos ligados ao Banco Master e à gestora Reag Investimentos. Também constam R$ 25 milhões recebidos da J&F após a liberação de um serviço de banco digital do conglomerado a servidores do Governo do Distrito Federal.
No requerimento, Alessandro Vieira afirma que essas informações podem ajudar a compreender o contexto administrativo em que os contratos foram firmados.
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Em relação a Cláudio Castro, o relator sustenta que o depoimento pode oferecer, nas palavras dele, “um panorama macro estratégico inestimável, permitindo investigar as falhas e os gargalos institucionais que dificultam o combate à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira do crime organizado”.
Vieira já declarou publicamente que considera a situação do Rio de Janeiro um exemplo do que, segundo ele, não tem funcionado na gestão da segurança pública. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, afirmou que o Estado é uma “demonstração muito clara do que não funciona”.
A CPI pretende reunir, a partir do depoimento, informações sobre como o governo fluminense estruturou políticas e ações voltadas ao enfrentimento financeiro de organizações criminosas durante a gestão de Castro.