quarta-feira, 1 de abril de 2026
EDUCAÇÃO | CULTURA

Dia Mundial do Livro Infantil: por que ler ainda é o melhor presente que você pode dar a uma criança

Data celebrada em 2 de abril homenageia Hans Christian Andersen e convida à reflexão sobre o papel da literatura na formação infantil em tempos de excesso de telas

Luana Avelarpor Luana Avelar em 1 de abril de 2026
Livro Infantil
Foto: freepik

A cada 2 de abril, o mundo celebra o Dia Mundial do Livro Infantil, data instituída em 1967 pelo International Board on Books for Young People em homenagem a Hans Christian Andersen, autor de clássicos como A Pequena Sereia e O Patinho Feio. A escolha da data não é casual: ela convida à reflexão sobre o papel dos livros na formação das crianças, especialmente em um tempo em que as telas competem, segundo a segundo, pela atenção infantil.

Telas x livros: o problema não é a tecnologia

O cenário é conhecido por pais e educadores. Reels, notificações, vídeos curtos e jogos digitais ocupam boa parte do dia de crianças em idade escolar. O problema não está no uso em si, mas no excesso e na qualidade do consumo. Enquanto os estímulos digitais tendem a fragmentar a atenção e acelerar o ritmo de processamento, a leitura exige o movimento oposto: pausa, foco e construção gradual de sentido.

Especialistas em desenvolvimento infantil apontam que a questão central não é proibir o acesso digital, mas garantir equilíbrio e diversidade de experiências. Nesse sentido, a leitura, especialmente quando mediada por um adulto presente, oferece algo que nenhum algoritmo entrega: tempo de qualidade, escuta e vínculo.

A literatura como experiência sensível

Para a escritora, narradora e biblioterapeuta luso-brasileira Clara Haddad, a literatura é, antes de tudo, uma experiência. “Contar uma história não é apenas relatar fatos; é criar uma experiência sensível que envolve corpo, mente e emoção”, afirma. Com mais de 30 anos de atuação entre Brasil e Portugal, Clara é referência internacional na área e já impactou mais de 60 mil pessoas em eventos literários em mais de 12 países.

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Quando o livro vira cuidado

Uma das frentes de trabalho de Clara é a biblioterapia, prática que propõe a literatura como ferramenta de cuidado emocional. A partir da escolha cuidadosa de títulos, medos, inseguranças e desafios do cotidiano infantil podem ser trabalhados de forma simbólica, abrindo caminhos para o diálogo e fortalecendo vínculos afetivos. A abordagem tem ganhado atenção crescente entre educadores e famílias que buscam alternativas para lidar com ansiedade, dificuldades de relacionamento e outros desafios emocionais na infância.

A narração oral também ocupa papel central nesse movimento. Diferente do consumo passivo de conteúdo digital, ouvir uma história narrada ao vivo ativa a escuta, estimula o imaginário e cria um espaço de presença compartilhada, sem mediação de telas. Iniciativas como o projeto Livro em Movimento, da Associação Brasileira de Biblioterapia, reforçam essa lógica ao deixar livros em espaços públicos com mensagens que convidam à pausa e ao encontro.

O que a data celebrada hoje lembra é simples e profundo ao mesmo tempo: em meio a tanto estímulo e velocidade, sentar com uma criança e abrir um livro juntos ainda é um dos gestos mais poderosos que existem.

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