quinta-feira, 2 de abril de 2026
Caso chocante

PM aposenta tenente-coronel preso por feminicídio em SP

Mesmo detido e denunciado à Justiça, tenente-coronel passa à reserva com salário de cerca de R$ 20 mil

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 2 de abril de 2026
Tenente-coronel
Reprodução

A Polícia Militar de São Paulo publicou nesta quinta-feira (02), no Diário Oficial, a aposentadoria do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente e acusado de matar a soldado Gisele Alves Santana, com quem era casado.

A medida chama atenção pela rapidez. O processo administrativo foi concluído mesmo com o oficial sob custódia e já denunciado à Vara do Júri pelos crimes de feminicídio e fraude processual, o que, em situações semelhantes, costuma prolongar análises internas.

De acordo com as investigações, o crime ocorreu dentro do apartamento do casal, localizado na região central da capital paulista. A apuração aponta que, após o assassinato, o militar teria tentado alterar a cena do crime para simular um suicídio, o que reforçou a acusação de fraude processual apresentada pelo Ministério Público.

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Aposentadoria em meio a investigação levanta debate

Mesmo diante da gravidade do caso e da prisão preventiva em curso, a aposentadoria foi concedida com base no tempo de serviço já cumprido pelo oficial, o que lhe garante o direito ao benefício. Com isso, ele passa a receber cerca de R$ 20 mil mensais.

A publicação da portaria ocorreu enquanto o tenente-coronel segue detido e sem conseguir a promoção ao posto de coronel, progressão que, em regra, pode acompanhar a passagem para a reserva quando há requisitos preenchidos, o que não ocorreu neste caso.

O episódio levanta discussões sobre os limites entre o direito adquirido no âmbito administrativo e as implicações de um processo criminal em andamento, especialmente em crimes de alta gravidade como o feminicídio.

Até o momento, nem a Secretaria da Segurança Pública nem o comando da Polícia Militar detalharam os fundamentos técnicos e jurídicos que embasaram a decisão. A ausência de transparência, somada à celeridade da concessão em um contexto tão sensível, intensifica o debate público sobre a coerência institucional e os critérios adotados em casos que envolvem agentes do próprio Estado.

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