quinta-feira, 2 de abril de 2026
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Reino Unido reúne mais de 40 países em cúpula sobre reabertura do Estreito de Ormuz

Cúpula virtual reúne países para discutir medidas que permitam retomar a navegação no Estreito de Ormuz

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 2 de abril de 2026
Estreito de Ormuz
Yvette Cooper critica ataques irresponsáveis do Irã (Foto: UK Home Office/ Wikimedia Commons)

A reabertura do Estreito de Ormuz entrou no centro da agenda internacional após o bloqueio da rota marítima, considerada uma das mais estratégicas do mundo, provocar impactos no comércio global. Em resposta à crise, mais de 40 países participaram, nesta quinta-feira (2), de uma cúpula virtual organizada pelo Reino Unido para discutir medidas coordenadas voltadas à retomada da navegação na região.

A iniciativa reuniu representantes de França, Alemanha, Canadá, Emirados Árabes Unidos e Índia, com foco na construção de alternativas diplomáticas e econômicas. O objetivo, segundo o governo britânico, é restabelecer o fluxo de embarcações sem recorrer a ações militares, diante da escalada de tensões envolvendo o Irã e a guerra com Estados Unidos e Israel.

A interrupção do tráfego no estreito ganhou intensidade após ataques a navios comerciais e ameaças contínuas na área. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, foram contabilizados 23 ataques diretos a embarcações, com 11 tripulantes mortos, de acordo com a empresa de dados marítimos Lloyd’s List Intelligence. O cenário levou à redução drástica da circulação na via, que conecta o Golfo Pérsico aos oceanos.

 

Leia mais: Japão e França ampliam coordenação para reabrir Estreito de Ormuz

Leia mais: Trump afirma que “novo regime” do Irã pediu cessar-fogo

 

Reino Unido acusa Irã de tentar “sequestrar a economia global”

Após o encontro, a ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, fez críticas a Teerã e afirmou que a situação já pressiona diferentes setores da economia global. “Os ataques irresponsáveis do Irã estão atingindo o transporte internacional, tentando sequestrar a economia global”, declarou. Segundo ela, a elevação nos preços do petróleo, do combustível de aviação, de fertilizantes e de alimentos reflete os impactos da interrupção.

A avaliação compartilhada entre os países participantes é de que a crise ultrapassa o campo energético e pode gerar consequências econômicas e sociais em diversas regiões. A restrição ao fluxo de mercadorias afeta cadeias de abastecimento e compromete o envio de insumos essenciais para áreas em situação de vulnerabilidade.

Responsável por cerca de 20% do consumo mundial de petróleo, o Estreito de Ormuz desempenha papel central na segurança energética internacional. Além do transporte de combustíveis, a rota também é utilizada para o envio de alimentos, medicamentos e suprimentos humanitários, o que amplia o alcance dos efeitos provocados pelo bloqueio.

Apesar da mobilização, os Estados Unidos não participaram da reunião. A ausência ocorre após o presidente Donald Trump afirmar que a segurança da rota não é responsabilidade norte-americana. Ele também criticou aliados europeus e voltou a ameaçar retirar o país da Otan, ampliando tensões políticas paralelas às discussões sobre o conflito.

Estreito de Ormuz
Donald Trump afirma que EUA não é responsável pela rota e diz que outros países devem cuidar dela (Foto: Divulgação/ Casa Branca)

China culpa EUA e Israel pela crise no Estreito de Ormuz

A China também se manifestou sobre a situação. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, responsabilizou Washington e Tel Aviv pela deterioração das condições de navegação. “A causa raiz da obstrução à navegação pelo Estreito de Ormuz são as ações militares ilegais dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã”, afirmou. Ela defendeu a interrupção imediata das operações e a retomada do diálogo.

Ainda, organizações humanitárias alertam para os desdobramentos da crise. O Comitê Internacional de Resgate classificou o cenário como uma “bomba-relógio” para a segurança alimentar e apontou risco de agravamento da fome global até junho.

Segundo a entidade, a interrupção da rota pode comprometer o envio de alimentos e medicamentos para áreas vulneráveis e provocar um impacto superior ao registrado em 2022, quando a guerra na Ucrânia afetou o abastecimento global.

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