sexta-feira, 3 de abril de 2026
ORIENTE MÉDIO

Conselho da ONU vota uso da força no Estreito de Ormuz

Proposta do Bahrein prevê medidas para garantir a segurança da navegação comercial após bloqueio da rota marítima

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 3 de abril de 2026
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Passagem marítima foi bloqueada após ataques coordenados de Israel e EUA em Teerã (Foto: Reprodução/ Google Maps)

O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve votar neste sábado (4) uma resolução apresentada pelo Bahrein para autorizar medidas voltadas à proteção da navegação comercial no Estreito de Ormuz. A reunião e a votação, inicialmente previstas para sexta-feira (3), foram remarcadas devido ao feriado da Sexta-feira Santa na ONU, segundo o G1 com informações de diplomatas.

O texto foi elaborado após o bloqueio da passagem marítima em meio ao conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciado no final de fevereiro. Desde então, a interrupção do tráfego na região elevou a tensão internacional e provocou forte impacto no mercado de energia.

De acordo com fontes diplomáticas, o projeto preparado pelo Bahrein, que preside o Conselho de Segurança, autoriza o emprego de “todos os meios defensivos necessários” para garantir a segurança do transporte comercial na área. A proposta prevê que as medidas sejam aplicadas por pelo menos seis meses.

Resistência dentro do Conselho de Segurança

A votação, porém, enfrenta resistência entre integrantes permanentes do Conselho. China, Rússia e França demonstraram oposição à autorização para o uso da força na região. Para ser aprovada, uma resolução do Conselho de Segurança precisa de pelo menos nove votos favoráveis entre os 15 membros e não sofrer veto de nenhum dos cinco integrantes permanentes: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China.

 

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O embaixador da China na ONU, Fu Cong, afirmou que autorizar o uso da força poderia agravar a crise. Segundo ele, a medida “legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força” e provocaria uma escalada com “graves consequências”.

A França também manifestou reservas à possibilidade de uma operação militar para reabrir a rota marítima. Em declaração a jornalistas durante visita à Coreia do Sul na quinta-feira (2), o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que “nunca foi uma opção que apoiamos, porque é inviável”. Segundo ele, “levaria uma eternidade e colocaria todos que atravessam o estreito em risco, tanto pelos Guardiões da Revolução quanto por mísseis balísticos”.

O governo do Bahrein, responsável por apresentar a proposta, sustenta que o bloqueio em Ormuz representa ameaça ao comércio global. O ministro das Relações Exteriores do país, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, classificou como uma “tentativa ilegal e injustificada” do Irã de controlar a navegação na região e afirmou que a situação exige uma “resposta decisiva”.

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Abdullatif bin Rashid Al Zayani (Foto: Foreign and Commonwealth Office)

Na quinta-feira, o Reino Unido reuniu representantes de mais de 40 países em uma cúpula virtual para discutir alternativas diplomáticas e medidas voltadas à reabertura da rota marítima. Durante o encontro, participantes manifestaram apoio à iniciativa do Bahrein no Conselho de Segurança.

Irã adverte que “qualquer provocação” pode ampliar crise em Ormuz

Teerã, por sua vez, advertiu contra qualquer decisão que possa ampliar o conflito. Em declaração feita na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que medidas adotadas no Conselho poderiam agravar a crise. “Qualquer ação provocadora por parte dos agressores e seus apoiadores, inclusive no Conselho de Segurança da ONU em relação à situação no estreito de Ormuz, não fará mais do que complicar a situação”, declarou.

Ainda, o presidente Donald Trump, indicou que Washington poderia intervir para restabelecer a circulação em Ormuz. Em publicação na rede Truth Social, afirmou que os EUA poderiam “facilmente” reabrir a passagem marítima. “Com um pouco mais de tempo, podemos facilmente abrir o Estreito de Ormuz, pegar o petróleo e lucrar muito”, escreveu.

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