segunda-feira, 6 de abril de 2026
terras raras

Financiamento dos EUA garante influência sobre terras raras extraídas em Goiás

Aporte de US$ 565 milhões à Serra Verde prevê prioridade no destino da produção e reposiciona o Brasil na disputa global por minerais estratégicos

Anna Salgadopor Anna Salgado em 6 de abril de 2026
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Foto: Divulgação/Serra Verde

O governo dos Estados Unidos (EUA) avançou no setor de mineração brasileiro ao garantir acesso e influência sobre o destino da produção de terras raras da mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, no norte de Goiás. A operação ocorre por meio da US International Development Finance Corporation (DFC) e envolve um empréstimo de US$ 565 milhões, cerca de R$ 3 bilhões, com cláusulas de fornecimento prioritário para os EUA e parceiros aliados.

A confirmação dos termos foi feita por Conor Coleman, diretor de investimentos da DFC, em entrevista ao jornal Financial Times. Segundo ele, o financiamento foi estruturado com mecanismos de “offtake”, que asseguram a compra futura da produção e direcionam os minerais a mercados definidos. “O direito de influenciar para onde os metais seriam vendidos estava vinculado ao nosso financiamento”, afirmou o executivo, ao destacar que os detalhes do contrato não eram públicos até então.

O interesse dos Estados Unidos na mina Pela Ema, operada pela Serra Verde, está relacionado ao acesso a terras raras pesadas, cuja oferta global é concentrada na China. O Brasil possui as segundas maiores reservas desses minerais, mas ainda registra baixa produção, o que insere o País em um cenário de disputa internacional que também envolve União Europeia, Índia e China.

Entre os minerais extraídos em Goiás estão o disprósio e o térbio, utilizados na fabricação de ímãs permanentes empregados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, sistemas de defesa, robótica e equipamentos médicos.

O valor do financiamento da DFC foi ampliado de US$ 465 milhões para US$ 565 milhões em dezembro. O acordo também prevê a possibilidade de aquisição de participação acionária minoritária na empresa. Em nota, a Serra Verde informou que continuará independente e que o governo norte-americano não terá assento nem poder de nomeação em seu Conselho de Administração.

O governo de Goiás tem atuado no desenvolvimento do setor no Estado. O Ministério das Relações Exteriores confirmou que equipes técnicas do Brasil e dos EUA mantêm reuniões para tratar da cooperação em minerais críticos. Atualmente, a Serra Verde é a única produtora em operação de terras raras no País, e o financiamento permitiu a revisão de contratos de venda, antes direcionados à China, para outros mercados.

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