terça-feira, 7 de abril de 2026
saúde

Anvisa reforça fiscalização sobre canetas emagrecedoras manipuladas no Brasil

Medida busca coibir irregularidades na importação de insumos e garantir segurança no uso de medicamentos à base de GLP-1

Nívia Menegatpor Nívia Menegat em 7 de abril de 2026
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Anvisa reforça fiscalização sobre canetas emagrecedoras manipuladas no Brasil. Foto: Reprodução/ Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta segunda-feira (6), um reforço na fiscalização das chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos injetáveis à base de agonistas do receptor GLP-1. A medida tem como objetivo combater irregularidades na importação de insumos e no uso dessas substâncias, além de garantir mais segurança à população.

Entre os principais alvos estão os insumos farmacêuticos ativos (IFAs) utilizados na manipulação de medicamentos como semaglutida, tirzepatida e liraglutida. Segundo a agência, o volume importado tem sido incompatível com a demanda real do mercado. Apenas no segundo semestre de 2025, foram importados 130 quilos de insumos, quantidade suficiente para produzir cerca de 25 milhões de doses.

Anvisa reforça fiscalização sobre canetas emagrecedoras

Em 2026, a Anvisa já realizou 11 inspeções em farmácias de manipulação e empresas importadoras, resultando na interdição de oito delas por falhas técnicas e ausência de controle de qualidade.

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Anvisa reforça fiscalização sobre canetas emagrecedoras manipuladas no Brasil. Foto: Reprodução/ Freepik

O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, destacou que a iniciativa não busca proibir a manipulação desses medicamentos, mas sim coibir práticas irregulares e proteger a saúde pública. A agência tem observado aumento de relatos de efeitos adversos, além do uso “off label”, quando o medicamento é utilizado para finalidades não previstas em bula, como o emagrecimento sem indicação clínica. Em fevereiro, inclusive, foi emitido um alerta sobre risco de pancreatite associado ao uso dessas substâncias.

Entre os principais riscos identificados estão falhas na esterilização, ausência de controle de qualidade, produção sem prescrição individualizada e uso de insumos sem origem comprovada. Também foram detectados casos de uso indevido de nomes comerciais e venda de produtos sem registro.

Para enfrentar o problema, a Anvisa estruturou um plano com seis eixos estratégicos. Entre eles estão o aprimoramento das normas regulatórias, revisão de regras para farmácias de manipulação, intensificação da fiscalização, monitoramento de eventos adversos e maior rigor na importação de insumos.

Leia também: Crescimento de vendas de canetas emagrecedoras expõe lacuna no descarte

O plano também prevê cooperação com entidades nacionais e internacionais, ampliação da oferta de medicamentos registrados, atualmente há 17 pedidos em análise e campanhas de orientação à população sobre os riscos do uso indiscriminado.

A agência reforça que medicamentos injetáveis exigem padrões rigorosos de qualidade, esterilidade e rastreabilidade, sendo fundamentais para garantir a segurança dos pacientes. Desde o início do ano, já foram publicadas dez medidas proibindo a importação, comercialização e uso de produtos irregulares relacionados aos agonistas de GLP-1.

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