quarta-feira, 8 de abril de 2026
OPINIÃO

Soluções para Estado podem ser diferença entre perder e ganhar

Máquina, estrutura de campanha, exército de cabos eleitorais, polarização e outros elementos são úteis, até decisivos, mas determinado público espera ouvir dos candidatos o que soar bem para suas demandas

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 8 de abril de 2026
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Os chamados planos mirabolantes, como os do Cebolinha para sequestrar o coelhinho da Mônica, são a véspera do fracasso. É vã a garantia de que vai realizar o impensável - Crédito: Reprodução Facebook e Renato Araújo Câmara dos Deputados

O que não falta em período eleitoral é sabe-tudo, o sujeito que decidiu a eleição para Iris Rezende, depois foi importante para Marconi Perillo, dezenas de prefeitos devem-lhe a vitória e sua bancada em Brasília e Goiânia supera a do BBB, Bíblia, boi e bala. Para esse especialista em tudo, as redes sociais e comprar supostas lideranças formam um binômio insuperável. Proposta? “Promessa num tá com nada”, resume-se a sua filosofia. Porém, num pleito que se anuncia polarizado, pode ser decisivo para o eleitor o que o candidato apresentar na campanha.

Em 2022, Lula (PT) e Ronaldo Caiado (PSD, então no União Brasil) ganharam para presidente da República e governador de Goiás por percentual baixo: 1,8%. Ou seja, se o adversário mais próximo tivesse obtido 1% a mais, o nome do governante seria outro. Talvez tenha passado para alguém ou faltado a outro uma frase boa, uma promessa agregadora, um vídeo que comovesse determinada faixa do eleitorado. Por isso, é imprescindível cercar o eleitorado no estilo norte-americano de granjear público. Falar para cada microparte da sociedade.

Exemplo: os adventistas são 50 mil em Goiás. Digamos que determinado governadoriável se comprometa a não realizar atividades no sábado (o 7º dia da semana, sagrado para eles). A quantidade, à primeira vista, é insuficiente para decidir uma eleição ao Executivo do Estado, porém, são cidadãos de prestígio nas comunidades em que vivem. Em geral, não tomam partido em disputas políticas. Apenas esses dois itens já indicam o acerto de quem optar pelo agrado a essa fatia da população.

Eleitor que vota por proposta é exigente

As promessas referentes a gastos devem ser acompanhadas do item do orçamento que será sacrificado para incluí-las. Afinal, o eleitor que se atém a propostas é criterioso, não se deixa enganar. Por outro lado, depois que se decide, não fica quieto, busca outros para votos para seu preferido. Para evitar derrota nos embates que vai travar presencialmente e nas redes sociais, esse cabo eleitoral gratuito precisa se municiar de dados. Uma vez convencido, trata de convencer.

Os chamados planos mirabolantes, como os do Cebolinha para sequestrar o coelhinho da Mônica, são a véspera do fracasso. É vã a garantia de que vai realizar o impensável, dar casa para todo mundo, empregar no governo até a 8ª geração de quem pede uma vaga, uma vaca leiteira e 3 alqueires de pasto para quem sonha ter aquela chacrinha para o lazer do fim de semana.

Você é o famoso quem, mesmo?

Outro cuidado que o cidadão tem é com a condição de o político realizar o que assegura no desenrolar do processo. O líder comunitário Cícero Rocha se lançou pré-candidato a governador pelo PT. Mesmo sendo uma pessoa afável, honesta, nenhum escândalo ligado a seu nome, o eleitor que não o conhece vai se sentir à vontade para o ajudar a ter acesso ao Palácio das Esmeraldas? O jornalista Claudio Curado manifesta a mesma vontade de Cícero, chegar ao Executivo goiano pela sigla de Lula. Outra figura ilibada, nada a manchar a sua imagem, porém talvez falte ao votante a fé em suas palavras, porque são as primeiras que está ouvindo dele.

Além do PT, que ainda não se decidiu, outros partidos vão lançar candidatos ao Governo de Goiás e três já apresentaram seus escolhidos. O MDB fechou com a reeleição do governador Daniel Vilela. O PL está com o senador Wilder Morais. O PSDB quer o 5º mandato executivo de Marconi Perillo. Se qualquer desses três disser que vai duplicar a GO-020, entre Bela Vista e Catalão, soará mais crível do que com Curado ou Rocha. Se o PT optar por outro filiado, como os deputados federais Adriana Accorsi e Rubens Otoni, vai tornar mais palatável para seus admiradores. A mesma lógica vale para emedebistas, tucanos e liberais caso levem para as urnas aquele vereador de Caldazinha, o ex-vice-prefeito de Anhanguera ou o secretário municipal de Bonópolis. Nada contra além do desconhecimento.

Diz que odeia os políticos de sempre, mas os escolhe sempre

Parece um paradoxo o eleitor dizer que tem pavor de político, mas na hora H preferir os de sempre. Perdoe-o, ó Pai, pois ele nem sempre sabe o que faz e pode ser que arrisque e dê certo, mesmo que o resultado não seja o que aguarda. Em 1998, o desconhecido Marconi ganhou do ultrafamoso Iris Rezende numa eleição para governador que parecia definida por 80% a 6%. Em 2022, o ultrafamoso Marconi perdeu para o quase desconhecido Wilder, que apesar de exercer então o mandato de senador não tinha a menor chance diante dos cinco mandatos majoritários do concorrente.

É vital inovar. A máquina, como é chamada a estrutura de campanha, com seus exércitos de cabos eleitorais, significa quase nada na hora de digitar, a não ser para aquele que não gosta de perder voto e acaba escolhendo pela máquina, que está no começo e no fim de tudo. Esse cheiro de velharia ultrapassada se dissipa com um plano de trabalho bem elaborado.

Assim, não adianta dizer que vai “priorizar tudo”, ou que vai “fazer mais” pela Educação, a saúde, o social. Ou se escudar em padrinhos, tanto que Daniel Vilela renovou em quase metade a equipe que estava com Ronaldo Caiado, Wilder Morais resiste a todas as provocações sobre o PL nacional apoiar outro concorrente e Marconi Perillo insistir que não se coligaria com o PT, que seria rarefeito a seu espectro ideológico. (Especial para O HOJE)

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