quinta-feira, 9 de abril de 2026
Risco de fracasso nas urnas

Disputa interna no PSD goiano provoca perda de nomes competitivos

Bastidores mostram que partido adota estratégia para ter mais espaço, tanto na Alego quanto no Congresso, e isso tem gerado saída de políticos importantes

Marina Moreirapor Marina Moreira em 9 de abril de 2026
PSD
Entrada de Wilde Cambão no UB e possibilidade de Cairo Salim integrar MDB mostram que objetivo de ambos no PSD seria inviável - Créditos: Sérgio Rocha e Divulgação Alego

O partido do ex-governador e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), tem sido palco de movimentações políticas de deputados estaduais que, de acordo com interlocutores, possuem o objetivo de se reeleger. 

O PSD, presidido no Estado por Caiado, compõe a base do atual governador de Goiás e pré-candidato à reeleição no Palácio das Esmeraldas, Daniel Vilela (MDB). Informações de bastidores revelam que os deputados estaduais Cairo Salim (PSD) e Wilde Cambão (UB) têm enfrentado obstáculos na legenda, uma vez que ambos correm o risco de não serem reeleitos em função da forma com que as chapas foram montadas atualmente. 

Até o momento de conclusão desta reportagem, a informação obtida é a de que Cambão deixou o PSD e se filiou ao União Brasil (UB) para não correr o risco de perder as eleições durante a concorrência por espaço na Casa Baixa do Congresso. Assim, o parlamentar deixou o objetivo anterior de disputar a Câmara dos Deputados e deve tentar reeleição. Há quem avalie que a chapa do partido, como está montada, tem capacidade de eleger apenas Cairo Salim. 

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Créditos: Will Rosa/Alego

Alta nas filiações

Na última terça-feira (7), o vice-presidente estadual do partido, o senador Vanderlan Cardoso, abonou as fichas de filiação de lideranças do município de Rio Verde e reforçou a estratégia de expansão do PSD no interior do Estado. 

“Estamos fortalecendo o PSD com lideranças que têm atuação concreta em Rio Verde. É um grupo que chega para somar, com trabalho e compromisso, e que se integra a um projeto que já vem ganhando força no Estado”, destacou Vanderlan. 

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Senador e vice-presidente estadual do PSD, Vanderlan Cardoso- Créditos: Jane de Araújo/Agência Senado

O evento também contou com as participações de Paulo do Vale, ex-prefeito de Rio Verde, e do deputado estadual Lucas do Vale, que ingressaram recentemente na legenda e já participam da reorganização partidária no município. 

Acesse também: Flávia e George Morais oficializam filiação ao MDB em evento com 500 lideranças

Situação inviável

Além dos representantes de Rio Verde, o ato teve as participações dos deputados estaduais Cairo Salim e Wilde Cambão que, com base em informações de bastidores, não ficaram no partido em decorrência da inviabilidade de se reeleger pela sigla. 

Analistas políticos destacam que os parlamentares não quiseram permanecer no PSD e um dos motivos que justificam a possível saída de ambos da legenda de Caiado é o potencial eleitoral dos dois, que podem alcançar cerca de 50 mil votos cada. 

Especialistas ressaltam que os nomes mais fortes do PSD goiano são o de Paulo do Vale (PSD), Cairo Salim e Wilde Cambão. Ex-prefeito de Rio Verde, Paulo do Vale deixou o cargo de secretário de Governo da Prefeitura de Rio Verde para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). 

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Créditos: Maykon Cardoso

No entanto, não é do agrado dos demais membros do partido a permanência de Cambão e Salim, porque, ao somar os três nomes que detêm um alto potencial de votos (Cambão, Salim e do Vale), a legenda tem capacidade de eleger apenas dois candidatos, na visão de analistas. 

Em busca de outras siglas

Nesse sentido, a solução para tal situação seria a transferência de Wilde Cambão para o UB e de Cairo Salim para o MDB, porém, cabe destacar que a última movimentação ainda não foi confirmada nem pelo parlamentar, nem por fontes próximas ao deputado. 

Além de ser um dos principais nomes que concorrem à reeleição para a Alego, Wilde Cambão também é cotado para ser vice do governador Daniel Vilela e figura numa lista que inclui Adriano da Rocha Lima (PSD), Bruno Peixoto (União Brasil), Luiz Carlos do Carmo (PSD), José Mário Schreiner (PSD) e Gustavo Mendanha (PRD). 

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Governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB) – Foto: Divulgação

Para a chapa de deputado federal, o PSD tentou fechar nas últimas horas que antecediam o fechamento da janela partidária a chegada da deputada Magda Mofatto. A parlamentar está filiada no Partido Liberal (PL) após deixar o Partido da Renovação Democrática (PRD), mas a articulação não foi bem sucedida, de acordo com membros do PSD. Dessa forma, Magda segue no PL. (Especial para O HOJE)

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