Mercado financeiro

Goiás aposta em banco digital que pode movimentar R$ 16 bi por ano

Projeto do governo estadual prevê alcance de mais de 660 mil usuários e integração de serviços públicos e privados com Pequi Bank

João Césarpor João César em 11 de abril de 2026
Banco
Com proposta de “super APP”, Pequi Bank deve centralizar serviços financeiros, programas sociais e crédito para pequenos negócios e ampliar o acesso da população a soluções digitais no Estado - Foto: Divulgação/GoiásFomento

Goiás está para se tornar o mais novo investidor no mercado de bancos digitais, com o Pequi Bank. Segundo estimativa do projeto, o aplicativo pode movimentar cerca de R$ 16 bilhões anualmente, sendo administrado pela empresa Stark Bank, que foi a única apresentada no edital de chamamento. A ideia do banco está entre os pacotes de inovação que o governador Daniel Vilela quer lançar em sua gestão.

A proposta está sendo desenvolvida pela Agência de Fomento de Goiás (GoiásFomento) desde novembro, quando foi aberto o edital de chamamento público para selecionar uma instituição financeira privada responsável pela estruturação da plataforma digital. Conforme previsto no plano de negócios, o banco digital poderá alcançar um público superior a 660 mil usuários, incluindo servidores públicos estaduais e municipais, seus cônjuges e também beneficiários de programas sociais.

 

De acordo com o presidente da GoiásFomento, Rivael Aguiar Pereira, funcionará além das funcionalidades de um banco digital. O novo empreendimento do Pequi Bank será uma plataforma integrada, um “super APP”, para ampliar a oferta de serviços à população em Goiás. “Ele não vai ser uma nova empresa estatal. O Estado está criando uma plataforma que vai disponibilizar um aplicativo para celular, onde vão ser disponibilizados diversos serviços públicos e privados com uma maior eficiência para a população”, explica.

Entre os serviços que o Pequi Bank irá oferecer, está a oferta de cartões, incluindo opções pré-pagas e de crédito, disponíveis tanto para funcionários públicos quanto para o público em geral. Além disso, a plataforma terá um importante papel para os beneficiários de programas sociais, com a centralização dos recebimentos no aplicativo. Com essas funcionalidades, o banco digital permitirá a execução de políticas públicas municipais, como a distribuição de cestas básicas via cartão, fomentando o comércio local e oferecendo gestão em tempo real aos municípios.

Outro ponto de destaque do novo aplicativo são as soluções para micro e pequenos empresários. Dentre elas está a conexão dessas empresas com a iniciativa privada, com o intuito de ofertar crédito e financiamento. “Esse projeto vai permitir com que a gente consiga ampliar a oferta de serviços para os micro e pequenos empresários, de uma forma geral, onde essa plataforma vai poder dar um dinamismo maior para dar oferta de serviço da GoiásFomento para os empresários”, acrescenta.

Nesse sentido, Rivael explica que em alguns casos quando uma empresa procurava a Agência não era possível fornecer crédito, por não se enquadrar na política de crédito. Mas com esse novo empreendimento do Estado, essas empresas podem ser redirecionadas automaticamente para parceiros da iniciativa privada.


Desconfiança com as fintechs


O presidente da GoiásFomento ressaltou que, em um primeiro momento, a crise que foi instaurada com os problemas envolvendo o Banco Master causaram preocupações em relação a uma não adesão da população. “Por outro lado, vejo como uma forma de qualificar melhor o mercado”, complementa Rivael.


Com os problemas das instituições financeiras, no mercado digital, o Banco Central deixou suas exigências mais rígidas, algo que inclusive foi benéfico, na visão dele, para o processo de seleção da empresa que irá administrar o Pequi Bank. “O Banco Central tomou medidas muito duras com o mercado das fintechs. Isso naturalmente vai promover um processo de fusões e aquisições de empresas, gerando uma maior qualificação. E a partir do momento que o mercado tem uma qualificação maior, a credibilidade também aumenta”, destaca.

Para não correr o risco de sofrerem com as novas exigências para 2027, que o Banco Central instaurou para o mercado das fintechs, o Governo já realizou o processo de seleção nos moldes esperados para daqui um ano. Para isso, a proposta feita pelo Stark Bank foi submetida a uma avaliação de três empresas contratadas para dar consultoria nesse processo.

Em um primeiro momento a proposta foi avaliada no sentido jurídico, pelo escritório Menezes Niebuhr Sociedade de Advogados. Após isso passou por um parecer no quesito regulatório, realizada pela empresa Pivot Tech e a última etapa, realizada pela Work7 Auditores Independentes Ltda, avaliou a integridade técnica.

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