segunda-feira, 21 de setembro de 2026
ORIENTE MÉDIO

Trump garante reabertura “permanente” de Ormuz após bloquear a rota

Declaração ocorre durante bloqueio de navios ligados ao Irã e um possível avanço de negociações indiretas sobre paz

Lalice Fernandespor em
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Presidente dos EUA, Donald Trump (Foto: Daniel Torok/ Casa Branca)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (15) que pretende garantir a abertura permanente do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo, em meio à escalada do conflito com o Irã. A afirmação ocorre após Washington iniciar restrições à navegação de embarcações ligadas a portos iranianos.

Em publicação na rede Truth Social, Trump associou a medida a interesses internacionais e destacou a interlocução com a China. “A China está muito feliz porque estou abrindo permanentemente o Estreito de Ormuz. Estou fazendo isso por eles também — e pelo mundo. Essa situação nunca mais vai acontecer. Eles concordaram em não enviar armas ao Irã”, escreveu.

Declaração ocorre após Trump anunciar o bloqueio do estreito

A declaração vem na sequência de uma decisão do governo norte-americano, no domingo (12), que passou a impedir a circulação de navios com origem ou destino em portos iranianos pelo estreito. Nesta quarta, o Comando Central dos EUA informou que ao menos nove embarcações foram obrigadas a recuar e retornar à costa do Irã após abordagem militar.

A medida tem impacto direto sobre a economia iraniana, fortemente dependente da exportação de petróleo, e amplia a pressão sobre Teerã. Como resposta, autoridades iranianas indicaram a possibilidade de restringir o tráfego comercial no Mar Vermelho caso o bloqueio seja mantido.

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Estreito de Ormuz (Foto: Reprodução/ Google Maps)

 

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O controle do Estreito de Ormuz é considerado um dos principais pontos de tensão no conflito. Pela passagem marítima passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo, o que torna qualquer interferência na rota um fator de risco para o abastecimento global e para os preços da energia. Ao longo da guerra, o Irã utilizou sua influência na região como forma de pressão, enquanto os Estados Unidos buscavam garantir a circulação para reduzir impactos econômicos.

Site aponta possível avanço nas negociações

Mesmo com a escalada militar, canais diplomáticos permanecem abertos, segundo o Axios. Autoridades norte-americanas indicaram ao site avanços recentes nas negociações com o Irã, com possibilidade de construção de um acordo para encerrar o conflito. Em paralelo, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, afirmou que ainda não há definição sobre a continuidade do cessar-fogo temporário.

“Por enquanto, como mencionei, as negociações continuam por meio de um intermediário paquistanês, e resta saber o quão sério o outro lado realmente está em relação às suas alegações sobre diplomacia”, declarou, segundo a agência estatal IRNA. Em seguida, criticou a postura dos EUA: “São os Estados Unidos que precisam provar sua seriedade, porque repetidamente não apenas deixaram de honrar seus compromissos, como também minaram a própria mesa de negociações”.

Países alertam para instabilidade global

Mesmo com a possibilidade de um acordo, ministros das Finanças de pelo menos onze países alertaram, em declaração conjunta divulgada pelo governo do Reino Unido, que a instabilidade na região tende a afetar o crescimento global, pressionar a inflação e gerar volatilidade nos mercados, especialmente em função de possíveis interrupções no fluxo de petróleo. O documento foi assinado por ministros do Reino Unido, Austrália, Japão, Suécia, Holanda, Finlândia, Espanha, Noruega, Irlanda, Polônia e Nova Zelândia.

O impacto humanitário também cresce. Levantamentos do Irã e Líbano, apontam mais de 5.500 mortes nos países desde o início da guerra. No território libanês, ataques atribuídos a Israel deixaram mais de 2.100 vítimas fatais desde março, incluindo crianças e profissionais de saúde, enquanto no Irã, ao menos 3.375 pessoas foram mortas.

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