sábado, 31 de outubro de 2026
ORIENTE MÉDIO

Trump garante reabertura “permanente” de Ormuz após bloquear a rota

Declaração ocorre durante bloqueio de navios ligados ao Irã e um possível avanço de negociações indiretas sobre paz

Lalice Fernandespor em
trump
Presidente dos EUA, Donald Trump (Foto: Daniel Torok/ Casa Branca)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (15) que pretende garantir a abertura permanente do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo, em meio à escalada do conflito com o Irã. A afirmação ocorre após Washington iniciar restrições à navegação de embarcações ligadas a portos iranianos.

Em publicação na rede Truth Social, Trump associou a medida a interesses internacionais e destacou a interlocução com a China. “A China está muito feliz porque estou abrindo permanentemente o Estreito de Ormuz. Estou fazendo isso por eles também — e pelo mundo. Essa situação nunca mais vai acontecer. Eles concordaram em não enviar armas ao Irã”, escreveu.

Declaração ocorre após Trump anunciar o bloqueio do estreito

A declaração vem na sequência de uma decisão do governo norte-americano, no domingo (12), que passou a impedir a circulação de navios com origem ou destino em portos iranianos pelo estreito. Nesta quarta, o Comando Central dos EUA informou que ao menos nove embarcações foram obrigadas a recuar e retornar à costa do Irã após abordagem militar.

A medida tem impacto direto sobre a economia iraniana, fortemente dependente da exportação de petróleo, e amplia a pressão sobre Teerã. Como resposta, autoridades iranianas indicaram a possibilidade de restringir o tráfego comercial no Mar Vermelho caso o bloqueio seja mantido.

trump
Estreito de Ormuz (Foto: Reprodução/ Google Maps)

 

Leia mais: Bloqueio dos EUA em Ormuz entra em vigor após impasse nas negociações

Leia mais: AIEA alerta para aumento da capacidade nuclear da Coreia do Norte

 

O controle do Estreito de Ormuz é considerado um dos principais pontos de tensão no conflito. Pela passagem marítima passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo, o que torna qualquer interferência na rota um fator de risco para o abastecimento global e para os preços da energia. Ao longo da guerra, o Irã utilizou sua influência na região como forma de pressão, enquanto os Estados Unidos buscavam garantir a circulação para reduzir impactos econômicos.

Site aponta possível avanço nas negociações

Mesmo com a escalada militar, canais diplomáticos permanecem abertos, segundo o Axios. Autoridades norte-americanas indicaram ao site avanços recentes nas negociações com o Irã, com possibilidade de construção de um acordo para encerrar o conflito. Em paralelo, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, afirmou que ainda não há definição sobre a continuidade do cessar-fogo temporário.

“Por enquanto, como mencionei, as negociações continuam por meio de um intermediário paquistanês, e resta saber o quão sério o outro lado realmente está em relação às suas alegações sobre diplomacia”, declarou, segundo a agência estatal IRNA. Em seguida, criticou a postura dos EUA: “São os Estados Unidos que precisam provar sua seriedade, porque repetidamente não apenas deixaram de honrar seus compromissos, como também minaram a própria mesa de negociações”.

Países alertam para instabilidade global

Mesmo com a possibilidade de um acordo, ministros das Finanças de pelo menos onze países alertaram, em declaração conjunta divulgada pelo governo do Reino Unido, que a instabilidade na região tende a afetar o crescimento global, pressionar a inflação e gerar volatilidade nos mercados, especialmente em função de possíveis interrupções no fluxo de petróleo. O documento foi assinado por ministros do Reino Unido, Austrália, Japão, Suécia, Holanda, Finlândia, Espanha, Noruega, Irlanda, Polônia e Nova Zelândia.

O impacto humanitário também cresce. Levantamentos do Irã e Líbano, apontam mais de 5.500 mortes nos países desde o início da guerra. No território libanês, ataques atribuídos a Israel deixaram mais de 2.100 vítimas fatais desde março, incluindo crianças e profissionais de saúde, enquanto no Irã, ao menos 3.375 pessoas foram mortas.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
China Estados Unidos Estreito de Ormuz Ira!

Veja também

Voto antecipado nas eleições dos EUA bate recorde e ultrapassa 49 milhões de eleitores

Eleições nos EUA

Voto antecipado nas eleições dos EUA bate recorde e ultrapassa 49 milhões de eleitores

Número supera o recorde anterior para eleições de meio de mandato, que era de 45,9 milhões em 20...
Premier da Polônia é acusado de tentar golpe de Estado após cerco policial a tribunal

Controle da Corte

Premier da Polônia é acusado de tentar golpe de Estado após cerco policial a tribunal

Disputa entre presidente e premiê leva crise ao Tribunal Constitucional da Polônia
El Niño

CLIMA

Super El Niño pode ser o mais intenso dos últimos 150 anos e preocupa especialistas

Fenômeno deve atingir o pico entre novembro e dezembro de 2026, com possibilidade de provocar ondas...
Netanyahu perde maioria no Parlamento de Israel após eleições

ELEIÇÕES EM ISRAEL

Netanyahu perde maioria no Parlamento de Israel após eleições

Coalizão liderada pelo primeiro-ministro conquistou 53 das 120 cadeiras do Knesset, número insufic...
Homem descobre planta crescendo no olho após acidente com galho

IMAGINA A AGONIA!

Homem descobre planta crescendo no olho após acidente com galho

Russo de 42 anos apresentou dores de cabeça e piora na visão. Raiz de 3 milímetros havia penetrad...
Patrick Stewart

LUTO NO CINEMA

Ator Patrick Stewart, astro de Star Trek e X-Men, morre aos 86 anos

Ator britânico construiu uma carreira de décadas no teatro, no cinema e na televisão, com persona...
Trump promete conversar com Lula e ataca eleições no Brasil: “Vergonha”

eleições 2026

Trump promete conversar com Lula e ataca eleições no Brasil: “Vergonha”

“Vou conversar com ele, mas acho que a eleição foi uma vergonha no Brasil”, declarou o preside...
Telescópio da Nasa encerra missão após quase 22 anos e deve cair na Terra

Nasa

Telescópio da Nasa encerra missão após quase 22 anos e deve cair na Terra

Swift fez sua última observação científica em 20 de outubro; agência ainda não definiu data ou...