Trump segue com ataques contra papa Leão XIV: “Ele não deveria falar sobre guerra”
Presidente norte-americano, continua com críticas ao pontífice que homenageia santo que condenava guerras
A escalada de declarações entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o papa Leão XIV continuou se estendendo nesta terça-feira (14) e ampliou o desgaste diplomático em meio ao debate sobre a guerra no Irã. Após críticas iniciais, o republicano voltou a atacar o pontífice em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera. “Ele não entende e não deveria estar falando sobre guerra, porque não tem ideia do que está acontecendo”, afirmou.
As críticas ainda se estenderam à primeira-ministra Giorgia Meloni, que havia classificado como “inaceitáveis” os comentários de Trump no dia anterior. Ao responder à crítica, Trump elevou o tom e vinculou a posição da premiê à ameaça nuclear iraniana. “É ela quem é inaceitável, porque não se importa se o Irã tem uma arma nuclear e explodiria a Itália em dois minutos se tivesse a chance”, disse. Em seguida, reforçou o ataque pessoal: “Achei que ela fosse corajosa, mas me enganei”.
O embate ocorre em um momento de pressão dos Estados Unidos por maior alinhamento europeu às ações envolvendo o conflito no Oriente Médio. Ao se posicionar nesta terça-feira, Meloni defendeu a manutenção de divergências entre aliados estratégicos. “Quando você tem amigos e aliados, especialmente se eles forem estratégicos, você também precisa ter a coragem de dizer quando discorda”, afirmou.
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Pontífice homenageia santo que condenou guerras após falas de Trump
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, também reagiu e saiu em defesa da premiê. “Até hoje, o presidente Trump considerava Giorgia Meloni uma pessoa corajosa. Ele não estava enganado”, escreveu, ao afirmar que a posição expressa o entendimento de italianos sobre o episódio.
Enquanto a crise política se intensifica, o papa Leão XIV manteve sua agenda internacional e, durante visita à Argélia, homenageou Santo Agostinho de Hipona, que defendia que guerras só deveriam ser travadas para defender inocentes e restaurar a paz, mas nunca por crueldade. O pontífice ainda voltou a abordar os impactos da guerra: “O coração de Deus está dilacerado por guerras, violência, injustiça e mentiras”.