Goiás decreta emergência por doenças respiratórias; entenda como vai funcionar o plano
Estado libera recursos, amplia leitos e reforça vacinação para conter avanço da SRAG e evitar colapso na saúde
O Governo de Goiás detalhou, em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (16), como funcionará o decreto de emergência em saúde pública diante do avanço de doenças respiratórias como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A medida, oficializada por meio do Decreto nº 10.895, busca ampliar a capacidade de atendimento da rede hospitalar e conter o crescimento dos casos, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), o estado enfrenta aumento na demanda por internações e pressão sobre leitos de UTI e suporte ventilatório. Por isso, o decreto tem caráter preventivo e estratégico, antecipando ações antes do período mais crítico, tradicionalmente registrado em maio.
Medidas emergenciais e ampliação de leitos
Com a publicação do decreto, o Estado passa a contar com mecanismos que garantem mais agilidade na resposta à crise sanitária. Entre as principais medidas está a adesão à portaria federal que prevê incentivo financeiro de R$ 2 mil por diária de leitos de UTI e R$ 500 para leitos de suporte ventilatório pulmonar.
De acordo com o secretário estadual de Saúde, Rasível Santos, a iniciativa busca ampliar rapidamente a oferta de vagas hospitalares. “O decreto nos confere a agilidade necessária para contratar pessoal e adquirir insumos, garantindo que nenhum goiano fique sem assistência”, afirmou.
Além disso, o governo pretende integrar hospitais estaduais, municipais e unidades privadas para ampliar a rede de atendimento. A expectativa é chegar a até 564 leitos dedicados exclusivamente a pacientes com SRAG, entre UTI e enfermarias com suporte respiratório.
A subsecretária de Políticas e Ações em Saúde, Amanda Melo, destacou que há pressão crescente sobre o sistema. Segundo ela, o estado registrou redução de leitos disponíveis em comparação ao ano anterior, ao mesmo tempo em que aumentaram as solicitações de internação. “Estamos organizando uma integração entre os serviços para atender melhor e reduzir a gravidade dos casos e os óbitos”, explicou.
Monitoramento e atuação do comitê de crise
Outra medida importante é a criação do Centro de Operações de Emergências em Saúde (COE-SRAG), que passa a coordenar o monitoramento dos dados e a definição de estratégias durante o período de emergência.
O comitê reúne representantes de diferentes esferas, incluindo gestores municipais, entidades médicas e instituições públicas e privadas. A proposta é fortalecer a articulação entre os serviços de saúde e garantir respostas mais rápidas diante do avanço da doença.
Segundo a SES, o decreto também permite a contratação emergencial de profissionais, aquisição de insumos sem necessidade de licitação e priorização de processos administrativos relacionados ao enfrentamento da SRAG.
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Baixa vacinação preocupa autoridades
Apesar da ampliação da estrutura hospitalar, a baixa cobertura vacinal segue como um dos principais desafios. Atualmente, apenas 16,19% do público prioritário foi imunizado contra a gripe em Goiás.
O secretário Rasível Santos reforçou que a vacinação é essencial para evitar casos graves. “A maior parte dos pacientes que evoluem para internação não está vacinada. Precisamos da parceria da população para reduzir a pressão sobre o sistema de saúde”, alertou.
A orientação da SES é que idosos, crianças e gestantes — considerados grupos de maior risco — procurem os postos de saúde o quanto antes. O estado também recomenda medidas preventivas, como uso de máscara em caso de sintomas gripais, higiene frequente das mãos e evitar aglomerações.
A subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, também destacou a importância da conscientização coletiva. “Crianças doentes não devem ir à escola, e pessoas com sintomas devem usar máscara. A vacinação continua sendo a principal forma de proteção”, afirmou.
Estratégia para evitar colapso no sistema
Durante a coletiva, o secretário de Saúde ressaltou que o decreto tem como objetivo evitar um possível colapso na rede hospitalar. Segundo ele, a taxa de ocupação já é elevada e há tendência de crescimento dos casos nas próximas semanas.
“O que estamos fazendo é um trabalho preventivo. Queremos ampliar a capacidade de atendimento e melhorar a gestão dos leitos para garantir assistência a todos”, explicou Rasível.
Além disso, o governo orienta que a população utilize corretamente a rede de saúde: casos leves devem ser atendidos em unidades básicas, enquanto quadros mais graves devem ser encaminhados a hospitais e UPAs.
Diante do cenário, autoridades reforçam que a combinação entre ampliação da estrutura, organização do sistema e aumento da vacinação será fundamental para enfrentar o avanço da SRAG em Goiás.