APESAR DE NEGOCIAÇÕES

Irã volta a fechar Estreito de Ormuz e acusa EUA de bloqueio naval

Teerã diz que retomou controle total da rota estratégica após acusar ações de “pirataria”

Micael Mourapor Micael Moura em 18 de abril de 2026
Irã
Foto: Reprodução

O Irã anunciou neste sábado (18) o novo fechamento do Estreito de Ormuz, alegando que os Estados Unidos mantêm um bloqueio naval na região.

Em comunicado divulgado pelo Comando Militar Central Khatam Al-Anbiya, e repercutido por agências estatais, o governo iraniano afirmou que havia permitido, de forma controlada, a passagem de petroleiros e navios mercantes após negociações.

No entanto, segundo o Irã, os Estados Unidos teriam descumprido compromissos. O texto acusa os americanos de “atos de banditismo e pirataria” sob o pretexto de um bloqueio.

Diante disso, Teerã declarou que o Estreito de Ormuz voltou ao “estado anterior”, sob controle rígido das forças armadas iranianas. A informação também foi confirmada pela emissora estatal IRIB.

Reviravolta após reabertura

O anúncio ocorre um dia após o próprio Irã informar a reabertura da rota marítima, medida que havia sido interpretada como sinal de avanço nas negociações.

Na ocasião, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a agradecer publicamente e afirmou que o Irã teria concordado em não voltar a fechar o estreito.

Apesar disso, o governo iraniano já havia condicionado a reabertura ao cumprimento de um cessar-fogo.

Tensões e petróleo

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas do comércio global de petróleo, e qualquer interrupção impacta diretamente o mercado internacional.

Após o anúncio de reabertura na sexta-feira, o preço do petróleo registrou queda significativa, com o tipo Brent chegando a cerca de 89 dólares.

Declarações de Trump

Em meio à escalada de tensão, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos entrarão no Irã em um “ritmo tranquilo” para recuperar urânio enriquecido.

O presidente também indicou que pretende manter o bloqueio naval na região, mesmo após a sinalização iraniana de reabertura.

Leia mais: Trump afirma Israel está “proibido pelos EUA” de atacar o Líbano

Trump ainda mencionou a possibilidade de novas negociações com o Irã nos próximos dias e disse acreditar em um acordo “em breve”, sem descartar a extensão do cessar-fogo, se necessário.

Conflitos paralelos

O presidente norte-americano também afirmou ter proibido Israel de realizar novos bombardeios contra o Líbano. Ainda assim, ataques foram registrados no sul do país após um cessar-fogo de 10 dias envolvendo o grupo Hezbollah.

A situação mantém o cenário de instabilidade no Oriente Médio, com reflexos diretos na segurança internacional e na economia global.

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