segunda-feira, 4 de maio de 2026
Trânsito

Colisões traseiras matam 11 nas BRs goianas e geram preocupação

Apenas no primeiro trimestre, 161 batidas traseiras foram registradas em Goiás; especialistas apontam imprudência e distração como principais causas

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 4 de maio de 2026
Colisões
Divulgação/PRF

O aumento no número de colisões traseiras nas rodovias federais têm acendido um alerta importante em Goiás e em todo o País. Somente nos primeiros meses de 2026, esse tipo de acidente já provocou a morte de 11 pessoas nas BRs que cortam o Estado, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O número representa um crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano passado, além de um avanço ainda maior no total de vítimas fatais.

Diante desse cenário, a preocupação se intensifica justamente em um ano marcado por diversos feriados prolongados, períodos em que o fluxo de veículos aumenta significativamente e, consequentemente, o risco de acidentes também se eleva. As colisões traseiras, inclusive, seguem como o tipo de ocorrência mais comum nas rodovias federais. 

Apenas no primeiro trimestre de 2026, foram registrados 161 casos desse tipo em Goiás, dentro de um total de 808 sinistros atendidos pela PRF. Ao todo, essas ocorrências contribuíram para um cenário preocupante, que já soma 61 mortes no período.

Embora muitas vezes sejam vistas como acidentes menos graves, as colisões traseiras podem ter consequências fatais, especialmente quando envolvem alta velocidade ou veículos de grande porte. Segundo a polícia, fatores como distração ao volante, excesso de velocidade e a falta de distância segura entre veículos estão entre as principais causas dessas batidas. Além disso, a imprudência e a pressa no trânsito continuam sendo elementos decisivos para o aumento dessas ocorrências.

Outro fator que contribui para esse cenário é o comportamento dos motoristas em trechos urbanos das rodovias, onde há maior fluxo e mudanças bruscas de velocidade. Nesses pontos, muitos condutores reduzem a atenção, acreditando que o risco é menor, o que não corresponde à realidade. Situações como congestionamentos, entradas e saídas de cidades e retornos irregulares exigem ainda mais cautela, já que aumentam as chances de freadas repentinas.

Nesse contexto, a chamada “regra dos 4 segundos” se destaca como uma das principais orientações da PRF. A recomendação é que o motorista mantenha uma distância suficiente do veículo à frente para conseguir reagir em caso de frenagem brusca. Apesar de simples, essa medida ainda é ignorada por muitos condutores. Prova disso é o aumento de 37% nas autuações por falta de distância segura em 2026, totalizando 717 notificações apenas nos primeiros meses do ano.

Além disso, a PRF chama atenção para o chamado efeito “comboio”, comum em períodos de feriado, quando veículos trafegam muito próximos uns dos outros por longos trechos. Nesse cenário, qualquer erro pode provocar engavetamentos, envolvendo vários automóveis e ampliando o número de vítimas. Por isso, manter distância segura e evitar acompanhar o ritmo do veículo à frente sem margem de reação são atitudes fundamentais para reduzir riscos.

Feriados prolongados aumentam o risco nas rodovias

O calendário de 2026 favorece viagens, com diversos feriados que caem próximos aos fins de semana, como o Dia do Trabalho, Corpus Christi e datas como 7 de setembro, 12 de outubro e 2 de novembro. Esses períodos costumam gerar aumento expressivo no tráfego, principalmente em rodovias que ligam grandes centros urbanos ao interior.

Historicamente, esses feriados prolongados têm sido marcados por acidentes graves. Durante a Operação Tiradentes 2026, por exemplo, foram registrados 34 acidentes nas rodovias federais em Goiás, com 30 pessoas feridas e duas mortes. Já no Carnaval deste ano, o cenário foi ainda mais preocupante, com aumento de 30% no número de acidentes e crescimento de 66% nas mortes em comparação com 2025.

Na Semana Santa, apesar da redução no número de óbitos, o volume de ocorrências e infrações permaneceu elevado, com mais de 5 mil flagrantes de excesso de velocidade. Esses dados demonstram que, mesmo com fiscalização intensificada, o comportamento dos motoristas ainda é determinante para a segurança no trânsito.

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Comportamento dos motoristas é decisivo para reduzir acidentes

Especialistas em trânsito reforçam que a imprudência segue como principal fator de risco nas rodovias. O excesso de velocidade, as ultrapassagens em locais proibidos e o uso do celular ao volante são atitudes recorrentes e extremamente perigosas.

Segundo o especialista em trânsito Marcos Rothen, muitos acidentes começam justamente por decisões arriscadas tomadas em poucos segundos. “Isso começa com a imprudência dos motoristas, principalmente o excesso de velocidade e as ultrapassagens em locais proibidos ou em situações de risco. Muitas vezes o condutor acha que dá tempo, mas o espaço é pequeno e o erro acaba sendo fatal”, explica.

Ele também chama atenção para a fiscalização nas rodovias. “A fiscalização nem sempre é efetiva. Nem sempre vemos agentes espalhados, e isso faz diferença. Ela serve tanto para coibir infrações quanto para proteger quem dirige corretamente”, afirma.

Outro ponto crítico é o desrespeito à distância segura entre veículos. Um alerta importante também diz respeito ao período de retorno dos feriados, considerado um dos momentos mais críticos nas rodovias. O cansaço acumulado, a pressa para chegar em casa e o aumento do fluxo contribuem para decisões arriscadas. Reduzir a velocidade e ter paciência nesse momento pode ser decisivo para evitar acidentes graves.

Orientações reforçam a importância da direção defensiva

Diante do cenário preocupante, a PRF intensificou campanhas educativas e operações de fiscalização, especialmente em períodos de feriado. A orientação é que a prevenção depende diretamente da postura do motorista. Entre as principais recomendações estão realizar a revisão do veículo antes de viajar, evitar dirigir cansado, respeitar os limites de velocidade e nunca consumir bebida alcoólica antes de assumir o volante.

Além disso, o uso do cinto de segurança, o respeito à sinalização e a atenção constante ao trânsito são atitudes básicas, mas essenciais para reduzir riscos. Evitar distrações, como o uso do celular, também é fundamental, já que a desatenção é considerada uma das principais causas de colisões traseiras.

Outro ponto importante é o planejamento da viagem. Verificar as condições da estrada, acompanhar a previsão do tempo e programar paradas para descanso podem fazer diferença significativa na segurança. Com o aumento do número de feriados prolongados em 2026, o alerta das autoridades ganha ainda mais relevância.

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