João de Deus continua em prisão domiciliar após penas serem reduzidas para 214 anos
Revisões judiciais reconheceram prescrição em parte dos casos; médium cumpre prisão domiciliar desde 2021 em Anápolis
As penas impostas ao médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, por crimes sexuais foram reduzidas significativamente após o julgamento de recursos judiciais. Inicialmente, as condenações em primeira instância se aproximavam de 500 anos de prisão, mas atualmente somam cerca de 214 anos, considerando também uma pena por posse irregular de arma de fogo.
De acordo com levantamento junto ao Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, as reduções ocorreram ao longo dos últimos anos, após revisões em segunda instância e decisões que reconheceram prescrição ou decadência em parte dos casos. As condenações envolvem crimes como estupro, estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude.

Penas de João de Deus caem
Desde 2021, João de Deus cumpre prisão domiciliar em Anápolis, com uso de tornozeleira eletrônica. A medida foi concedida principalmente em razão da idade e do estado de saúde, substituindo a prisão preventiva decretada em 2018. Ele também está impedido de se aproximar de Abadiânia e das vítimas.
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Segundo o Ministério Público, 67 vítimas integram os processos que resultaram em condenações, enquanto outras 121 tiveram seus casos extintos por questões legais como prescrição ou perda de prazo para representação.
Apesar das condenações já estabelecidas, grande parte dos processos ainda não teve decisão definitiva. Recursos seguem em tramitação no Superior Tribunal de Justiça, o que significa que as penas ainda podem ser alteradas.
João de Deus ganhou notoriedade nacional e internacional por atendimentos espirituais realizados na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia. As denúncias vieram à tona em 2018, quando diversas mulheres relataram abusos ocorridos durante os atendimentos, dando início a uma série de investigações e ações judiciais.