quarta-feira, 6 de maio de 2026
O FIM DA VIDA

“Doula da morte”: o cuidado que humaniza o fim da vida ganha espaço após fala de Nicole Kidman

Atriz reacende debate sobre acompanhamento emocional na terminalidade; especialista destaca importância da presença e do acolhimento

Bia Salespor Bia Sales em 6 de maio de 2026
“Doula da morte”: o cuidado que humaniza o fim da vida ganha espaço após fala de Nicole Kidman
(Imagem: Getty Images)

A declaração da atriz Nicole Kidman sobre o desejo de se tornar uma “doula da morte” reacendeu um debate ainda pouco explorado: como o fim da vida pode ser vivido com mais dignidade, acolhimento e presença.

A chamada doula da morte é uma profissional que acompanha pessoas em fase terminal, oferecendo suporte emocional, escuta ativa e apoio tanto ao paciente quanto à família. Diferente do cuidado médico, o foco está na humanização da despedida — um processo que, para muitos, ainda é marcado pelo silêncio e pelo distanciamento.

Para a psicóloga Dra. Grisiele Silva, falar sobre a morte é também uma forma de resgatar o cuidado emocional em um dos momentos mais sensíveis da vida. “Ninguém deveria partir sem ser visto, ouvido e acolhido — até o último instante”, afirma.

Segundo a especialista, a presença humana nesse momento pode transformar completamente a experiência da despedida, tanto para quem está partindo quanto para quem fica. “O fim da vida não precisa ser solitário. A presença é o que transforma dor em dignidade”. reforça.

Um tema ainda cercado de tabu

Apesar de inevitável, a morte ainda é um assunto pouco discutido na sociedade. Esse silêncio, segundo especialistas, pode aumentar o sofrimento emocional e dificultar o processo de luto. “Humanizar a morte é, talvez, uma das formas mais profundas de amar alguém”, destaca a psicóloga.

A atriz Nicole Kidman diz querer se tornar uma doula da morte após ter vivido um luto profundo após a perda da mãe, aos 84 anos. “Ela estava sozinha, e havia um limite para o que a família conseguia fazer”, disse.

Kidman contou que, durante os últimos momentos de vida da mãe, sentiu falta de um apoio externo. “Eu pensei: gostaria que existissem pessoas que pudessem estar ali, de forma imparcial, oferecendo conforto e cuidado”, afirmou.

Nesse contexto, o trabalho da doula da morte surge como uma alternativa para tornar esse processo mais consciente e acolhedor. Entre as funções estão facilitar conversas difíceis, oferecer suporte emocional e ajudar famílias a lidarem com sentimentos como medo, culpa e tristeza.

Diferentemente de profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros, as doulas não realizam procedimentos clínicos. Enquanto os cuidados paliativos se concentram no controle da dor e nos aspectos físicos, as doulas atuam principalmente no campo emocional e humano.

A atividade ainda não é regulamentada em muitos países, mas tem se expandido nos últimos anos, com cursos e formações específicas.

Impacto no luto e nas relações

O cuidado emocional no fim da vida não termina com a despedida. Ele também influencia diretamente o luto, tornando-o mais elaborado e menos traumático. “Quando há acolhimento no fim, a dor não desaparece — mas se transforma em algo que pode ser vivido com mais sentido”, explica Grisiele.

A especialista ressalta que a forma como as pessoas se despedem de alguém pode marcar profundamente a forma como vão lidar com a perda. E esse é o principal trabalho da doula da morte: saber ouvir, sem interromper ou julgar.

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Presença como forma de cuidado

Em um cenário de avanços tecnológicos na saúde, cresce também a busca por abordagens mais humanas e integradas, como os cuidados paliativos e o suporte psicológico.

“Ninguém deveria morrer em solidão — presença também é cuidado no fim da vida”, reforça a psicóloga.

A discussão, impulsionada por figuras públicas como Nicole Kidman, amplia o olhar sobre a morte não apenas como um fim, mas como um momento que também pode — e deve — ser vivido com dignidade, respeito e afeto.

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