Brasil se prepara para chegada do El Niño em 2026
Fenômeno climático deve retornar entre agosto e outubro e pode intensificar secas, enchentes e ondas de calor no Brasil
Após os eventos climáticos extremos registrados em 2023 e 2024, o Brasil voltou a entrar em alerta com a possibilidade de formação de um novo El Niño ainda este ano. Segundo projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), há mais de 80% de probabilidade de o fenômeno se desenvolver entre agosto e outubro, com intensidade moderada a forte e possibilidade de გაგრძელamento até 2027.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e ocorre em intervalos de dois a sete anos, alterando padrões de chuva, temperatura e circulação dos ventos em diversas regiões do planeta.
Durante o último ciclo, entre 2023 e 2024, o país enfrentou enchentes históricas no Rio Grande do Sul, seca severa na Região Norte, incêndios de grandes proporções no Pantanal e na Amazônia, além de sucessivas ondas de calor nas grandes cidades brasileiras.
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Agora, estados brasileiros têm acelerado ações preventivas para minimizar os impactos previstos para os próximos meses. Em Roraima, cerca de R$ 45 milhões foram destinados ao combate a queimadas e à ampliação de brigadas de incêndio. Já o Amazonas prioriza o acesso à água potável, com previsão de instalação de 777 purificadores em 60 municípios.

El niño no Brasil
Em São Paulo, o governo estadual anunciou um pacote de investimentos de R$ 25 bilhões voltado à infraestrutura, monitoramento climático e segurança hídrica.
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Especialistas, no entanto, alertam que soluções baseadas na natureza seguem em segundo plano nas estratégias de adaptação. Medidas como restauração florestal e ampliação de áreas verdes protegidas são consideradas fundamentais para aumentar a resiliência das cidades diante dos eventos extremos.
Modelos climáticos internacionais indicam ainda a possibilidade de um “super El Niño”, com temperaturas do Pacífico até 3°C acima da média até o fim do ano, cenário semelhante aos episódios históricos de 1877 e 2015.
Embora o fenômeno seja natural e cíclico, pesquisadores ressaltam que a crise climática provocada pelas emissões humanas intensifica seus efeitos, tornando eventos extremos mais frequentes e severos.