Gravação rara de Elis Regina feita em 1976 ganha nova versão e chega às plataformas digitais
João Marcello Bôscoli destacou o caráter simbólico do encontro musical entre Elis e Paulinho da Costa
Cinco décadas após ser gravada, a voz de Elis Regina retorna ao público em um lançamento inédito. O single “Corsário”, composição de João Bosco e Aldir Blanc, chegou às plataformas digitais no Dia das Mães (10), marcando mais um capítulo do projeto que resgata registros históricos da cantora feitos em 1976.
A faixa foi lançada pela Trama, com distribuição da ONErpm, e integra um álbum ainda em produção, desenvolvido a partir de gravações realizadas por Elis durante uma única sessão para um especial de televisão. O trabalho dá continuidade ao projeto iniciado em 2024 com o lançamento de “Para Lennon & McCartney”, também recuperada de arquivos inéditos da artista.
O registro original de “Corsário” foi captado com um microfone utilizado em apresentações ao vivo na época e passou por um minucioso processo de restauração conduzido pelo engenheiro de som Ricardo Camera. Com o auxílio de ferramentas modernas de tratamento de áudio, ruídos e interferências foram removidos para recuperar a interpretação original da cantora.
A nova base instrumental foi gravada nos estúdios da Trama, em São Paulo, seguindo o método tradicional adotado por Elis Regina durante sua carreira: todos os músicos tocaram juntos no estúdio, ouvindo simultaneamente a voz da cantora nos fones de ouvido. A proposta era recriar a atmosfera das gravações da década de 1970 e preservar a essência artística da intérprete.
Os arranjos assinados por Marcelo Maita buscaram unir contemporaneidade e fidelidade ao universo musical de Elis. Para isso, a produção utilizou apenas instrumentos e equipamentos fabricados até 1976, mantendo a sonoridade próxima à da época original da gravação.
Além dos músicos Daniel de Paula, Robinho Tavares, Conrado Goys e Marcelo Maita, o projeto contou com a participação especial de Paulinho da Costa, considerado um dos percussionistas mais requisitados da história da música mundial. O artista brasileiro acumula trabalhos ao lado de nomes como Michael Jackson, Quincy Jones, Stevie Wonder e Tom Jobim.
Responsável pela produção do projeto, João Marcello Bôscoli destacou o caráter simbólico do encontro musical entre Elis e Paulinho da Costa, que não chegou a acontecer durante a vida da cantora. Segundo ele, a gravação representa um momento histórico e emocionalmente marcante, concretizado meio século depois.
Paulinho da Costa também definiu a participação no single como uma experiência única. O percussionista afirmou que, mesmo após décadas trabalhando com artistas internacionais de grande relevância, ainda sentia faltar a oportunidade de gravar com Elis Regina, desejo que, segundo ele, acabou se realizando de maneira inesperada através da tecnologia e do trabalho de recuperação sonora.