Saúde

OMS estima mais de 22 milhões de mortes associadas à Covid e aponta subnotificação global

Relatório da Organização Mundial da Saúde indica que número de mortes em excesso durante a pandemia de Covid foi mais que o triplo dos óbitos oficialmente registrados entre 2020 e 2023

João Césarpor João César em 16 de maio de 2026
Covid
Foto: Marcelo Camargo/ABr

Um novo relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a pandemia da Covid-19 esteve associada a cerca de 22,1 milhões de mortes em excesso entre 2020 e 2023. O número supera em mais de três vezes os aproximadamente 7 milhões de óbitos oficialmente registrados no período.

Segundo o documento, os dados revelam a dimensão real da crise sanitária global e evidenciam tanto a subnotificação de mortes diretamente causadas pelo coronavírus quanto os impactos indiretos provocados pela pandemia, como a sobrecarga dos sistemas de saúde, dificuldades econômicas e interrupções em tratamentos médicos.

A chamada mortalidade em excesso considera a diferença entre o número total de mortes registradas durante um período específico e a quantidade esperada com base em anos anteriores, antes da pandemia. A métrica inclui tanto os óbitos provocados diretamente pela Covid-19 quanto mortes relacionadas aos efeitos sociais e estruturais da crise sanitária.

De acordo com a OMS, para cada morte oficialmente registrada por Covid-19, ocorreram aproximadamente outras duas mortes em excesso associadas ao contexto da pandemia.

Pandemia de Covid interrompeu avanço da expectativa de vida global

O relatório “Estatísticas Mundiais de Saúde 2026” mostra que o pico das mortes em excesso ocorreu em 2021, quando foram registrados cerca de 10,4 milhões de óbitos acima do esperado, representando um aumento de 17,9%.

Segundo a organização, o cenário foi agravado pela circulação de variantes mais agressivas do coronavírus, como a Delta, além da forte pressão sobre os sistemas de saúde em diferentes países. Com o avanço da vacinação e a melhora do quadro epidemiológico, o número caiu para 3,3 milhões em 2023.

A OMS também destacou dificuldades na consolidação dos dados globais. Até o fim de 2025, apenas 18% dos países haviam enviado informações de mortalidade dentro do prazo recomendado. Quase um terço das nações sequer repassou os dados ao organismo internacional.

Além disso, somente um terço dos países possui sistemas considerados adequados para produção de dados de mortalidade de alta qualidade. Em muitos casos, a OMS precisou utilizar métodos estatísticos para estimar informações ausentes ou incompletas.

Para Alain Labrique, diretor do Departamento de Dados, Saúde Digital, Análises e Inteligência Artificial da OMS, essas falhas dificultam o monitoramento em tempo real das tendências de saúde pública no mundo.

O relatório também aponta que a pandemia interrompeu quase uma década de avanços na expectativa de vida global. Antes da Covid-19, a média mundial ao nascer havia subido de 67 anos, em 2000, para 73 anos em 2019.

Com a pandemia, o índice caiu para 71 anos em 2021, retornando a patamares observados pela última vez em 2011. Somente entre 2022 e 2023, impulsionada pela vacinação e pela redução da circulação do vírus, a expectativa de vida voltou a atingir 73 anos.

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