Cubanos vão às ruas protestar após ação dos EUA contra Raúl Castro
Os protestos acontecem após Washington indiciar o ex-líder cubano pela derrubada de dois aviões em 1996
Milhares de cubanos participaram nesta sexta-feira (22) de uma manifestação em frente à embaixada dos Estados Unidos, em Havana, em resposta à decisão do governo norte-americano de indiciar o ex-presidente Raúl Castro pela derrubada de dois aviões civis em 1996. O protesto reuniu autoridades do governo, militantes e apoiadores do regime em um momento de forte tensão diplomática.
A mobilização começou ainda nas primeiras horas da manhã na orla da capital e foi marcada por discursos contra Washington e demonstrações de apoio ao ex-líder da ilha. O presidente, Miguel Díaz-Canel, e o primeiro-ministro Manuel Marrero participaram do ato, mas Raúl Castro não compareceu.
As acusações apresentadas pelos EUA envolvem a derrubada de duas aeronaves da organização Irmãos ao Resgate, formada por exilados cubano-americanos. Os aviões foram abatidos em 1996 e quatro pessoas morreram, entre elas três cidadãos norte-americanos. Segundo os autos divulgados pela Justiça dos EUA, Raúl Castro, então ministro da Defesa, teria ordenado o ataque.
O governo da ilha reagiu imediatamente e classificou a denúncia como baseada em alegações “espúrias”. Havana afirma que o indiciamento faz parte de uma estratégia do governo do presidente Trump para aumentar a pressão sobre a ilha e criar justificativas para uma ação contra o regime.

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Na sexta-feira, o presidente cubano afirmou que Havana só é uma ameaça na “mente doentia de alguns funcionários da atual administração estadunidense”. O líder acrescentou que as autoridades norte-americanas “mentem descaradamente ao povo dessa nação e ao mundo para justificar uma nova guerra irracional e de alto custo potencial em vidas humanas para os dois países”.
Ainda segundo Díaz-Canel, “Cuba nem ameaça, nem desafia, nem provoca os EUA ou outro país do mundo. Cuba é uma nação de paz”,
A crise diplomática ocorre em meio ao aumento da pressão norte-americana sobre Havana. Desde janeiro, os EUA vêm cobrando reformas políticas e econômicas do governo cubano, que rejeita as exigências e afirma defender sua soberania nacional.