segunda-feira, 25 de maio de 2026
Resistência e reconhecimento

Festival DIGO fica mais perto de entrar no calendário oficial

Após quase dois anos de tramitação, evento aguarda sanção de Sandro Mabel para ser oficializado no município

Luana Avelarpor Luana Avelar em 25 de maio de 2026
Festival

A Câmara Municipal de Goiânia aprovou, por unanimidade, o Projeto de Lei nº 164/2024, que inclui o Festival Internacional de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero de Goiás, o DIGO, no calendário oficial do município. A votação definitiva ocorreu na última quarta-feira (20), após quase dois anos de tramitação marcada por resistência.

De autoria do vereador Fabrício Rosa (PT), o texto determina realização anual em junho e autoriza o Executivo a apoiar a iniciativa com parcerias, patrocínios e outras formas de colaboração. A proposta segue para sanção do prefeito Sandro Mabel (UB).

Na primeira votação em plenário, realizada no dia 15 de maio, o projeto teve apenas um voto contrário. No segundo turno, nenhum vereador votou contra. A unanimidade deu ao festival reconhecimento institucional.

Leia mais: Projeto “Esparta e Cia” é encerrado com apresentação de “Varieté Circense”

Resistência e reconhecimento

Pioneiro no Centro-Oeste, o DIGO foi iniciado em 2015 e se consolidou como um dos principais espaços de resistência e celebração da diversidade sexual e de gênero por meio do audiovisual em Goiás. Ao longo da trajetória, reuniu filmes de diferentes países, promoveu debates e abriu espaço para a produção independente.

A programação inclui mostra competitiva de filmes selecionados entre inscrições de todo o mundo. Em uma única edição, o evento alcançou mais de 13 mil pessoas e registrou o recorde de 1 milhão de interações. Também distribuiu mais de R$100 mil em prêmios, bolsas de estudo e troféus.

Para o vereador Fabrício Rosa, autor do projeto, a aprovação representa um passo necessário diante de um cenário de violência contra a população LGBTQIA+. “O Brasil é um dos países que lidera o ranking de assassinatos de pessoas LGBTQIA+. Eventos como o DIGO são essenciais para promover a cultura de paz e o respeito aos direitos humanos igualitários”, afirma o parlamentar.

O vereador também associa o festival ao desenvolvimento cultural da cidade. “A inclusão do DIGO no calendário oficial de eventos de Goiânia é uma forma de reconhecer e valorizar este importante evento cultural, garantindo sua continuidade e ampliando seu impacto social e cultural na cidade”, descreve Rosa.

O PL nº 164/2024 foi apresentado em junho de 2024. O Art. 2º autoriza o Executivo, por meio dos órgãos competentes, a apoiar a realização do evento mediante parcerias, patrocínios e outras formas de colaboração. Para entrar em vigor, o texto ainda depende da sanção do prefeito.

Conquista 

O diretor do DIGO, Cristiano Sousa, recebeu a notícia com emoção e destacou o significado da conquista para além do âmbito cultural. “Recebo essa notícia com muita emoção, mas, acima de tudo, com um profundo sentimento de justiça e dignidade”, diz Sousa.

Para ele, a inclusão no calendário oficial muda a forma como o poder público passa a se relacionar com o evento. “O DIGO Festival sempre foi um projeto de resistência. Infelizmente, ao longo dos anos, nós nos acostumamos a caminhar sob a sombra da violência, do abandono institucional e da constante ameaça de ataques ou cancelamentos.”

O diretor afirma que a presença do festival na cidade sempre foi maior do que o espaço institucional que lhe foi dado. “É um paradoxo doloroso: nós geramos empregos, movimentamos o turismo da capital, consumimos serviços, pagamos nossos impostos rigorosamente e contribuímos ativamente para o desenvolvimento econômico e cultural de Goiânia. Mesmo assim, muitas vezes fomos tratados como algo a ser combatido, e não como o patrimônio cultural que o festival de fato é.”

Mudança dá base à continuidade do festival

Na avaliação de Sousa, a medida também sinaliza um novo momento para o Na avaliação de Sousa, a inclusão do DIGO no calendário oficial dá ao festival um peso institucional que também alcança o audiovisual goiano. Para ele, o reconhecimento fortalece obras e debates sobre diversidade sexual e de gênero em uma cena ainda marcada pela disputa por espaços de exibição, financiamento e permanência. “Essa aprovação é um marco de amadurecimento. Ela garante que a arte continue sendo essa ferramenta essencial para discutir as complexidades da vida, sem mordaças. E para a comunidade LGBTI+, representa a validação de que nossas histórias, nossas dores e nossas potências merecem telas, palcos e, acima de tudo, respeito e segurança”, pontua o diretor.

A etapa seguinte será a sanção do prefeito Sandro Mabel, necessária para que o projeto aprovado passe a valer como lei municipal. Sousa afirma que a expectativa, agora, é transformar a decisão política em garantia permanente para o festival. “O DIGO não é apenas um festival de cinema; é um espaço de sobrevivência e celebração da vida. Agora, aguardamos com expectativa a sanção do prefeito Sandro Mabel para que esse direito seja plenamente consolidado.”

12ª edição em junho

O DIGO chega à 12ª edição entre os dias 18 e 21 de junho, em Goiânia, durante o Mês do Orgulho LGBTQIA+. O evento seguirá com programação aberta ao público e a proposta de unir cinema, arte, formação, intercâmbio cultural, diversidade, articulação política e direitos humanos.

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags:
Veja também