terça-feira, 26 de maio de 2026
TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Teerã acusa EUA de violarem trégua e ameaça retaliação

Em meio ao possível avanço nas negociações no Oriente Médio, o governo iraniano acusa e ameaça Washington após ataques

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 26 de maio de 2026
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Guarda Revolucionária diz que Teerã se reserva o direito “legítimo” de retaliar violações do cessar-fogo (Foto: Reprodução/ @MKhamenei_ir)

As negociações para um acordo entre Estados Unidos e Irã voltaram a enfrentar tensão após Teerã acusar Washington de violar o cessar-fogo firmado entre os dois países. O governo iraniano afirmou nesta terça-feira (26) que ações militares norte-americanas no sul do território iraniano representam uma quebra do entendimento mantido desde abril, enquanto as conversas diplomáticas seguem em andamento para tentar encerrar a guerra iniciada no fim de fevereiro.

A acusação foi feita pelo Ministério das Relações Exteriores do Irã horas depois de o Comando Central das Forças Armadas dos EUA informar que realizou operações classificadas como “autodefesa” na província de Hormozgan. Em comunicado, Teerã afirmou que “os Estados Unidos cometeram uma grave violação do cessar-fogo” e responsabilizou o governo norte-americano “por todas as consequências resultantes dessas ações agressivas e injustificadas”.

Antes mesmo da manifestação oficial da diplomacia iraniana, a Guarda Revolucionária já havia elevado o tom das declarações. O grupo afirmou que se reserva o direito “legítimo e definitivo” de retaliar qualquer violação do cessar-fogo. Também declarou que suas forças de defesa aérea derrubaram um drone MQ-9 e dispararam contra um caça.

Líder supremo do Irã faz novo pronunciamento 

Em publicação divulgada nesta terça-feira em seu canal no Telegram, o líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que a região não servirá mais como proteção para instalações militares dos Estados Unidos. “Não há como voltar atrás, e as nações e terras da região não serão mais um escudo para as bases americanas. A partir de agora, os slogans ‘Morte à América’ e ‘Morte a Israel’ serão os slogans da nação islâmica e dos povos oprimidos do mundo, especialmente os jovens”, escreveu.

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Líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei (Foto: Reprodução/ @MKhamenei_ir

 

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Apesar da escalada verbal e das denúncias de violações militares, representantes dos dois países continuam tentando avançar em um entendimento diplomático. Delegações iranianas estiveram em Doha, no Catar, na segunda-feira (25), para reuniões sobre um possível acordo de paz.

Participaram das conversas o principal negociador iraniano, Mohammad Baqr Qalibaf, o chanceler iraniano e o governador do Banco Central do país. Segundo a agência iraniana Tasnim, a delegação busca a liberação de cerca de US$ 24 bilhões em recursos iranianos congelados no exterior. A agência Fars informou, citando uma fonte, que a questão financeira é considerada o último grande obstáculo para a conclusão de um entendimento entre Teerã e Washington.

Trump afirma só fará acordo com Teerã caso ele seja um “grande acordo”

Na segunda-feira (25), o presidente Donald Trump afirmou que as conversas com Teerã estavam indo “bem”, mas advertiu que novos ataques poderiam ocorrer caso as negociações fracassassem. “Só haverá um Grande Acordo para todos ou nenhum acordo”, escreveu o presidente norte-americano.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira que divergências sobre a redação do documento têm atrasado a conclusão das negociações. Durante viagem à Índia, Rubio disse a jornalistas que até disputas sobre “uma palavra” ou “uma frase” ainda precisam ser resolvidas antes de qualquer anúncio oficial.

Ainda, a crise também motivou uma movimentação dentro do governo norte-americano. Segundo informações do G1, Trump convocou seu gabinete para uma reunião em Camp David, residência presidencial localizada nas montanhas de Maryland, a cerca de 110 quilômetros de Washington. Segundo assessores da Casa Branca, os principais temas do encontro serão a situação no Irã e os impactos econômicos do conflito.

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