quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Segurança

Suspeito de liderar ataques a bancos morre em confronto com a CPE em Aparecida de Goiânia

Investigado por explosões de caixas eletrônicos tinha extensa ficha criminal; explosivos, munições e equipamentos táticos foram apreendidos.

Renata Ferrazpor em
Banco
Marcelo Antônio Marques Pereira - vulgo "Mad Max" - Foto: Divulgação

Um homem apontado pelas forças de segurança como uma das principais lideranças de grupos especializados em explosões de caixas eletrônicos e ataques a bancos em Goiás morreu durante um confronto com equipes da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) de Aparecida de Goiânia. A ocorrência foi registrada na manhã de sábado (30), no Setor Belo Horizonte.

Segundo a Polícia Militar, Marcelo Antônio Marques Pereira, de 46 anos, conhecido pelo apelido de “Mad Max”, era investigado por envolvimento em diversas ações criminosas contra instituições financeiras. Durante a operação, os policiais tentaram abordar o suspeito, mas houve troca de tiros. Marcelo foi baleado e não resistiu aos ferimentos.

No imóvel utilizado pelo investigado, os policiais encontraram um arsenal composto por explosivos, munições de fuzil, radiocomunicadores, colete balístico e roupas camufladas. Diante do risco oferecido pelos artefatos, equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) realizaram a detonação controlada do material.

Áudios indicavam preparação de nova ação criminosa

As investigações apontam que Marcelo estaria articulando um novo ataque a instituições financeiras em Goiás. A suspeita ganhou força após a análise de áudios atribuídos ao investigado e a outro integrante do grupo, Crenilton Ferreira Barreto, de 44 anos.

Nas conversas, os suspeitos falam sobre a retirada das tornozeleiras eletrônicas que utilizavam e demonstram expectativa em relação a uma futura ação criminosa. Em um dos trechos, um dos investigados afirma que pretendia retirar o equipamento de monitoramento por conta própria para não perder uma oportunidade de obter dinheiro.

Em outro momento, os dois discutem a necessidade de se encontrarem pessoalmente para alinhar detalhes do plano. Os diálogos também fazem referência à proximidade de uma ação que, segundo os investigadores, poderia estar relacionada a novos ataques contra instituições financeiras.

Para os agentes de inteligência, os áudios reforçam a tese de que o grupo permanecia ativo e tentava reorganizar operações criminosas semelhantes às praticadas durante o período em que quadrilhas do chamado “Novo Cangaço” aterrorizavam cidades do interior.

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Segundo suspeito morreu em operação anterior

O homem que aparecia nos áudios ao lado de Marcelo também morreu durante uma ação policial. Crenilton Ferreira Barreto foi localizado por equipes da CPE de Trindade no Conjunto Vera Cruz, em Goiânia, na semana anterior.

De acordo com a corporação, ele reagiu à abordagem e entrou em confronto com os policiais. Na residência utilizada pelo suspeito, os agentes apreenderam explosivos, armas e munições.

As investigações apontam que os dois atuavam em conjunto e planejavam uma nova ofensiva criminosa. A polícia acredita que ambos exerciam funções estratégicas dentro da organização.

Leia mais: Família inteira morre em acidente na BR-116; tragédia deixa 16 vítimas e coloca Bahia em luto

Histórico ligado a explosões de caixas eletrônicos

Conforme levantamento realizado pelos setores de inteligência da Polícia Militar, Marcelo possuía pelo menos 15 registros criminais relacionados a explosões de caixas eletrônicos. Mesmo monitorado por tornozeleira eletrônica, ele continuava sendo acompanhado pelas forças de segurança devido à suspeita de envolvimento em novas articulações criminosas.

As autoridades o apontavam como uma das principais referências do grupo responsável por coordenar ataques contra instituições financeiras em Goiás. A modalidade criminosa ficou conhecida nacionalmente como “Novo Cangaço”, caracterizada pelo uso de explosivos, armamento pesado e ações violentas contra agências bancárias.

Em fevereiro de 2019, uma operação policial prendeu três suspeitos de fabricar explosivos artesanais utilizados em ataques registrados em Goiânia, Minaçu e Itaberaí. Segundo as investigações da época, Marcelo era apontado como um dos coordenadores do esquema, mesmo estando preso desde 2016.

A polícia acredita que ele continuou exercendo influência sobre integrantes da organização criminosa e manteve participação no planejamento de ações mesmo após cumprir parte da pena.

Com a morte dos dois investigados, as forças de segurança seguem apurando a existência de outros integrantes da quadrilha e possíveis planos criminosos que ainda estariam em andamento. O material apreendido durante as operações passará por perícia e deve auxiliar no aprofundamento das investigações.

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