Celina descarta grandes obras e aposta em ocupação gradual do Centrad após anos de impasse
Governo quer levar secretarias para o complexo em Taguatinga, priorizando economia com aluguéis e uso da estrutura já existente
Após mais de uma década de entraves judiciais, disputas contratuais e sucessivos adiamentos, o Governo do Distrito Federal decidiu avançar na ocupação do Centro Administrativo do DF (Centrad), em Taguatinga. A estratégia, porém, será marcada pela cautela. Segundo a governadora Celina Leão (PP), o complexo começará a ser utilizado de forma parcial e sem a realização de grandes investimentos estruturais neste momento.
A decisão segue recomendações jurídicas e técnicas que vêm sendo adotadas pelo GDF desde os primeiros debates sobre a utilização do espaço. Ainda em 2023, o governo já defendia intervenções pontuais e graduais, evitando obras de grande porte enquanto questões relacionadas ao empreendimento permaneciam em análise pelos órgãos de controle.
Nos últimos dias, Celina confirmou que as primeiras estruturas a serem transferidas para o Centrad serão as secretarias que atualmente funcionam em imóveis alugados. Entre elas estão a Secretaria de Obras, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), além de áreas ligadas à Casa Civil e à Casa Militar. O próprio gabinete da governadora também deverá ser instalado no local.
A principal justificativa do governo é financeira. A ocupação do complexo faz parte de uma estratégia para reduzir despesas com contratos de locação e concentrar órgãos públicos em uma única estrutura administrativa. Segundo o GDF, a medida pode gerar economia aos cofres públicos e aumentar a integração entre diferentes áreas da administração distrital.
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Construído para ser a sede administrativa do governo, o Centrad ocupa uma área de aproximadamente 182 mil metros quadrados e reúne 16 edifícios. Apesar de ter sido entregue há mais de dez anos, o empreendimento nunca funcionou plenamente devido a uma série de disputas judiciais e questionamentos envolvendo a parceria público-privada responsável pela obra. O custo do projeto, inicialmente estimado em cerca de R$ 660 milhões, ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão ao longo dos anos.
Além da economia, o governo avalia que a movimentação de milhares de servidores poderá impulsionar a atividade econômica de Taguatinga e contribuir para a descentralização dos serviços públicos, historicamente concentrados no Plano Piloto.
A expectativa é que a transferência ocorra de forma escalonada nos próximos meses, enquanto o governo define a logística de funcionamento e adaptações necessárias para receber os novos órgãos sem comprometer o atendimento à população