Flávio Bolsonaro corre contra o tempo para definir candidata a vice mulher
Sem apoio dos principais partidos de centro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro avalia opções e, caso as alianças fracassem, uma chapa pura com nomes da própria sigla
Desde a homologação de sua candidatura à Presidência da República no dia 25 de julho, o senador e candidato ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tem concentrado as articulações nas negociações para definir quem ocupará a vice na chapa dos liberais.
A demora na resolução do impasse é fruto do recuo do Centrão de embarcar no projeto presidencial chefiado pelo filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Desde o anúncio de que Flávio seria o nome do bolsonarismo para a disputa presidencial, o PL articula uma aproximação dos partidos com maior representação no Congresso Nacional.
Entretanto, os supostos envolvimentos do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas eleitorais afastaram os partidos de centro da candidatura de Flávio. As legendas caminham para a neutralidade, com exceção do PSD, que lançou o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para a disputa.
Apesar da posição de neutralidade, a direção do PL e Flávio continuam a procurar as legendas do Centrão na busca por uma vice. O primeiro nome que recebeu um convite formal foi a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Ex-ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, a parlamentar chegou a aceitar o convite, porém, foi barrada pelo PP, que optou por manter a neutralidade nas eleições presidenciais de outubro.
Ainda dá tempo?
Na última segunda-feira (3), porém, a parlamentar não descartou totalmente a possibilidade. Após reafirmar a posição de neutralidade do partido, Tereza foi questionada se ainda havia espaço para mudanças na posição da legenda, durante coletiva após um evento na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). “Tem, até a hora final, tem espaço”, disse.
O PL ainda mira duas cotadas de diferentes partidos: a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques (Republicanos), e a deputada federal e presidente nacional do Podemos, Renata Abreu.
Daniella passou a ser cotada desde que assumiu a coordenação de propostas da área econômica da campanha do senador. A ex-presidente da Caixa é tida como próxima de Flávio em eventos da pré-campanha do senador e participa do núcleo de trabalho que ajuda o parlamentar na elaboração do plano de governo.
O que afasta Daniella da vice de Flávio é tanto a neutralidade do Republicanos quanto a desconfiança de alguns quadros do PL. O partido presidido nacionalmente pelo deputado federal Marcos Pereira (SP) dá sinais de que, assim como o PP, não irá rever sua decisão. Segundo o jornal O Globo, Pereira comunicou a Flávio que 17 dos 27 diretórios estaduais do partido são a favor da neutralidade.
Dentro do PL, caciques do partido veem com desconfiança uma composição com Daniella, em razão da inexperiência política e por acreditarem que a ex-presidente da Caixa não agrega votos à chapa. Marques nunca disputou eleição a qualquer cargo eletivo.
Já a presidente do Podemos afirmou, na última segunda (2), que a decisão sobre uma possível composição com Flávio dependeria da Executiva nacional do partido. “Essa é uma decisão coletiva. Eu sou uma pessoa de missão. Se o grupo entender que é importante para crescimento de partido, essa é uma decisão que vai ser tomada em grupo”, disse Renata após a convenção estadual da sigla em São Paulo.
Chapa pura
Caso as coligações nacionais não avancem, o PL considera para a vice a deputada federal Júlia Zanatta (SC) ou a deputada federal Priscila Costa (SC). Zanatta é defendida pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Porém, o fato da parlamentar ter como base eleitoral uma região já com forte apelo bolsonarista pode prejudicá-la na corrida para compor a chapa com o senador.
Já Priscila é próxima de Michelle. Vereadora por Fortaleza (CE) até assumir uma cadeira na Câmara no último dia 10, a parlamentar é vista como uma alternativa para ampliar o apelo entre o eleitorado nordestino e entre as mulheres. Porém, há uma semana, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que era “bobagem” considerar Priscila para o cargo, em entrevista à GloboNews.
Caso não avance nas composições com mulheres, uma ala dentro da legenda defende que o senador Rogério Marinho (PL-RN) seja o escolhido. Considerado leal pelo clã Bolsonaro, Marinho é visto com capacidade de diálogo com o empresariado. O senador é o coordenador da campanha de Flávio até o momento.
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