sábado, 31 de outubro de 2026
FALTA DE PAGAMENTO

Jornalista perseguido por Zambelli é condenado à prisão por dívida de R$ 2,2 mil enquanto deputada segue fora do país

Decisão da Justiça de São Paulo converteu em prisão a pena alternativa aplicada ao jornalista Luan Araújo por não pagamento de indenização em processo movido por Carla Zambelli

Luma Silveirapor em
Jornalista perseguido por Zambelli é condenado à prisão por dívida de R$ 2,2 mil enquanto deputada segue fora do país
Condenada pelo Supremo Tribunal Federal por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, Carla Zambelli permanece na Itália enquanto o Brasil busca sua extradição | Foto: Lula Marques

Um desdobramento judicial envolvendo um dos episódios políticos mais marcantes da campanha presidencial de 2022 voltou a chamar atenção nesta semana. O jornalista Luan Araújo, que ficou conhecido nacionalmente após ser perseguido por Carla Zambelli armada pelas ruas de São Paulo, teve a pena convertida em prisão em regime aberto por não quitar uma indenização determinada pela Justiça.

A decisão foi assinada pelo juiz José Fernando Steinberg, do Juizado Especial Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Segundo o magistrado, Araújo deixou de cumprir a prestação pecuniária estabelecida em processo movido pela então deputada federal, o que levou à conversão da pena restritiva de direitos em privação de liberdade.

O valor devido atualmente, incluindo multas e custas processuais, é de aproximadamente R$ 2,2 mil. A condenação teve origem em publicações feitas pelo jornalista após o episódio de outubro de 2022, quando ele criticou duramente Zambelli e seus apoiadores nas redes sociais. Embora tenha sido absolvido da acusação de injúria, Araújo acabou condenado por difamação.

Contraste entre as situações de Araújo e Zambelli

O caso ganha repercussão pelo contraste entre as situações dos envolvidos. Enquanto o jornalista enfrenta a execução da pena decorrente da condenação por difamação, Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e três meses de prisão pela perseguição armada registrada às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.

Na ocasião, imagens gravadas por testemunhas mostraram a então parlamentar correndo atrás de Araújo com uma arma em punho pelas ruas de um bairro da capital paulista, chegando a entrar em um estabelecimento comercial durante a perseguição. O episódio teve ampla repercussão nacional e se tornou um dos fatos mais emblemáticos da reta final da disputa eleitoral daquele ano.

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A situação jurídica de Zambelli, porém, é ainda mais complexa. Além da condenação relacionada à perseguição armada, ela também foi sentenciada a dez anos de prisão por participação na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Atualmente, a ex-deputada está na Itália, para onde se mudou antes do cumprimento das penas impostas pela Justiça brasileira.

O governo brasileiro busca sua extradição, mas o processo enfrenta disputas judiciais no país europeu. Recentemente, uma decisão favorável à entrega da ex-parlamentar ao Brasil foi revertida pela Corte de Apelação de Roma, mantendo indefinido o desfecho do caso.

A nova decisão contra Luan Araújo volta a colocar o episódio de 2022 no centro do debate público, evidenciando que, quase quatro anos depois, os reflexos judiciais da perseguição armada continuam produzindo consequências para todos os envolvidos.

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