domingo, 11 de outubro de 2026
Eleições 2026

PT volta à estaca zero e pressão para Accorsi disputar o governo cresce

Após a desistência de Flávio Faedo, partido retoma discussão sobre quem disputará o Palácio das Esmeraldas; indefinição dificulta articulações da centro-esquerda

Thiago Borgespor em
PT volta à estaca zero e pressão para Accorsi disputar o governo cresce
Faedo foi posto à mesa de cotados pela presidente estadual do PT, deputada federal Adriana Accorsi | Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

Com a decisão do produtor rural de Rio Verde, Flávio Faedo, que decidiu não ser o candidato do PT ao Governo de Goiás nas eleições de outubro, os petistas voltaram à estaca zero na definição de quem será o nome do partido na disputa pelo Executivo estadual.

Ao O HOJE, Faedo explicou que decidiu retirar sua pré-candidatura após avaliar que não conseguiria conciliar a gestão empresarial e uma disputa pelo governo goiano. “Fiquei honrado com o convite, mas não consegui conciliar as minhas atividades para enfrentar uma campanha de tanta responsabilidade”, disse o empresário rural. 

Faedo foi posto à mesa de cotados pela presidente estadual do PT, deputada federal Adriana Accorsi. A parlamentar articulou e insistiu para que o empresário aceitasse o desafio e saísse candidato, apesar de nunca ter disputado uma eleição. A estratégia passou pelo entendimento que um nome ligado ao agronegócio conseguiria dialogar com o eleitorado goiano ao centro.

Nas últimas semanas, o produtor rural havia se tornado o principal cotado, mesmo com as pré-candidaturas do ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno e do advogado Valério Luiz, que continuam à disposição do partido. O jornalista Cláudio Curado abriu mão de sua pré-candidatura. 

Com a desistência de Faedo, uma nova reunião do diretório estadual do partido acontecerá nesta sexta-feira (5) para tratar sobre a pré-candidatura petista ao governo. Conforme apuração desta reportagem, apesar de Cesar Bueno e Valério estarem no páreo, a expectativa é que a pressão para que Accorsi saia como candidata ao governo do Estado aumente.  

Além de ser a petista que melhor pontua nas pesquisas de intenção de voto, sempre por volta de 10%, há outra dificuldade que o partido precisa lidar nessa altura do campeonato: o tempo. A quatro meses da eleição e dois meses para que as campanhas eleitorais comecem oficialmente, o PT ainda patina na definição de um nome, enquanto a disputa pelo Palácio das Esmeraldas já conta com três pré-candidatos — o governador Daniel Vilela (MDB), o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Wilder Morais (PL) — que intensificam cada vez mais as andanças pelo Estado. 

Leia mais: Goiás regulamenta perdão de dívidas de ICMS e pode beneficiar mais de 10 mil produtores rurais

É consenso no núcleo petista de que uma candidatura da deputada federal ao governo estadual é a melhor alternativa para que o partido mantenha a competitividade eleitoral. O entendimento é que a única resistência ao nome de Accorsi ao governo do Estado será daqueles que defendem a manutenção da deputada na chapa proporcional, para ajudar o partido na eleição para a Câmara dos Deputados. 

Além disso, a indefinição que paira sobre o PT na escolha de um nome para disputar o governo estadual abre margem para que a união da centro-esquerda goiana se restrinja ao apoio na construção de um palanque para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Goiás. PDT e a federação Psol/Rede já sinalizaram interesse em disputar o Executivo estadual. 

O acordo de uma frente por Lula em Goiás ainda inclui o PSB. A expectativa é que as legendas caminhem junto na disputa pelo governo goiano, porém, um dos principais entraves nas tratativas é justamente o fato de que os petistas ainda não possuem candidato ao Palácio das Esmeraldas.

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