Sem recuo, base de Daniel Vilela em Goiás leva impasse do Senado até as urnas
Mendanha, Vanderlan e Zacharias mantêm candidaturas, enquanto Gracinha Caiado larga como favorita e transforma o segundo voto no principal campo de disputa do grupo governista
Bruno Goulart
A base do governador Daniel Vilela (MDB) encerrou as convenções partidárias com quatro candidatos ao Senado. A ex-primeira-dama de Goiás, Gracinha Caiado (União Brasil), o senador Vanderlan Cardoso (PSD), o deputado federal Zacharias Calil (MDB) e o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (PRD), permanecem na disputa, apesar das articulações anteriores para que o grupo governista apresentasse somente dois nomes.
A decisão transfere para a campanha uma disputa que não foi resolvida durante a formação da chapa. Como o eleitor goiano poderá escolher dois candidatos ao Senado, a tendência é que Gracinha concentre parte significativa do primeiro voto e que Vanderlan, Zacharias e Mendanha disputem a preferência pela segunda vaga.
Último levantamento
A ex-primeira-dama aparece em vantagem nos levantamentos divulgados até o momento. Na pesquisa Directa, divulgada na última quarta-feira (5), Gracinha lidera a primeira opção de voto com 31,3%. Depois aparecem o bolsonarista Gustavo Gayer (PL), com 17,8%; Vanderlan, com 12,6%; Zacharias, com 10,5%; e Mendanha, com 6,3%.
Já na segunda opção, Gayer registra 14,3%, seguido por Zacharias, com 13,6%; Gracinha, com 12,8%; Vanderlan, com 8,7%; e Mendanha, com 4,8%. Além disso, 32,1% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar para a segunda vaga, o que demonstra espaço para mudanças durante a campanha. A Directa ouviu 2 mil eleitores em 46 municípios, entre 28 e 31 de julho, com margem de erro de 2,19 pontos percentuais. O estudo está registrado no TSE sob o número GO-03062/2026.
O que dizem os candidatos
Diante desse cenário, Zacharias Calil reconhece que o excesso de candidaturas pode provocar a dispersão dos votos da base. Mesmo assim, o deputado federal afirma que continuará trabalhando pela própria candidatura. “Estou tranquilo com relação a isso. A única questão é que, às vezes, há uma diluição grande de votos, e isso pode atrapalhar um pouco. Mas cada um tem o seu trabalho”, afirma Zacharias.
O candidato do MDB também revela que chegou a ficar apreensivo com a possibilidade de o grupo retirar duas candidaturas e que fossem mantidas apenas as vagas de Gracinha e Vanderlan na chapa. Como o acordo não avançou, o deputado federal diz que seguirá na disputa. “Vejo-me em uma posição tranquila. Vou continuar trabalhando e, com humildade, buscar êxito nessa campanha”, declara.
Gustavo Mendanha também admite que uma chapa com apenas dois candidatos seria mais adequada para concentrar os votos. “O ideal seriam dois, mas isso faz parte da democracia. Não vejo nenhum tipo de problema. Nunca houve essa história de não ser candidato pelo grupo. Independentemente de qualquer coisa, sempre estaria com Daniel. Sou da base e minha candidatura está homologada”, ressalta o ex-prefeito de Aparecida ao O HOJE.
Presidente da Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade, Mendanha aposta no apoio de vereadores e prefeitos para ampliar a candidatura. O ex-prefeito cita como aliados Diego Sorgatto, de Luziânia, Carlinhos do Mangão, de Novo Gama, e Maycllyn Carreiro, de Morrinhos. A chapa de suplentes reúne o coronel Cardoso, ligado à segurança pública, e Carlos Filho, de Rio Verde, representante do setor produtivo.
Situação natural
Por sua vez, Vanderlan Cardoso trata a presença de quatro governistas como uma situação natural em uma eleição com duas vagas. O senador evita entrar diretamente na disputa interna e concentra o discurso nos resultados do mandato.
“Há espaço para todos disputarem a eleição. Quem vai decidir são os eleitores. Da minha parte, o foco continua sendo apresentar resultados e prestar contas do mandato que exercemos pensando nas pessoas de Goiás”, pontua Vanderlan. (Especial para O HOJE)
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