O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, criticou o reajuste de 15% anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Bolsa Família. Em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (17), Caiado questionou o momento escolhido pelo governo para conceder o aumento, já que a medida foi anunciada 17 dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
Com o reajuste, o valor mínimo do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio, por sua vez, subirá de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores serão pagos a partir da folha de outubro, com os primeiros depósitos previstos para 19 de outubro, entre o primeiro turno e um eventual segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Na avaliação de Caiado, o reajuste pode ser interpretado como uma utilização eleitoral do programa social. “Aprovar R$ 5,8 bi de reajuste a 17 dias da eleição escancara o uso eleitoreiro do programa”, escreveu o candidato. O governador também afirmou que o país enfrenta dificuldades nas contas públicas e classificou a situação fiscal como motivo de preocupação.
Impacto da medida
O impacto previsto para o reajuste é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027, segundo o governo federal. O Ministério do Planejamento afirma que a correção corresponde à reposição da inflação medida pelo INPC desde março de 2023 e que há espaço fiscal para absorver a despesa dentro das regras estabelecidas para as contas públicas.
Caiado também fez referência ao contexto fiscal ao afirmar que “a dívida do país está no vermelho” e acusar o governo de “rifar o futuro do país”. A crítica coloca o reajuste do Bolsa Família no centro do debate eleitoral sobre programas de transferência de renda, responsabilidade fiscal e o uso de políticas públicas durante o período de campanha. As afirmações sobre eventual finalidade eleitoral, porém, correspondem à avaliação feita pelo próprio candidato, enquanto o governo sustenta que o aumento é uma recomposição inflacionária prevista na legislação.
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