Majoritários ficam com todo o dinheiro, nada para deputados
Desistência de postulantes ao Congresso e à Alego se deve unicamente à falta de recursos, que os partidos enviam para Goiás, mas os candidatos a governador e senador repassam a conta-gota aos proporcionais
O leitor não vai encontrar aqui os queixosos que procuram os repórteres de O HOJE para reclamar de seus líderes partidários, pois simplesmente todos pedem que os lamentos fiquem em off, ou seja, se divulgados não lhes podem ser atribuídos. A verdade é que os candidatos a deputado estadual e federal estão comendo o pão que seus majoritários amassam, apenas pão, sem margarina nem café. Falta de dinheiro não é, pois os governadoriáveis estão nadando em notas de R$ 200 e para a turma proporcional, nada. Apenas dos diretórios nacionais, as quatro maiores campanhas já receberam R$ 28 milhões.
Parece pouco, para quem está se acostumando aos bilhões das roubalheiras como a do INSS e do Banco Master, mas é um sonho de fortuna para quem está sobrevivendo de migalhas, como os santinhos. Um candidato a deputado que está sem mandato ouviu do jornalista o número expressivo e xingou gritando ao celular: “Onde esses (palavrão) enfiaram os 28 milhões?”. O repórter respondeu que não sabia. Ele completou, já com a voz baixa, só que com mágoa: “Pra mim, mesmo, não veio 1 tostão”. O PT nacional mandou R$ 3 milhões e 460 mil para Luis Cesar Bueno. O PSDB, R$ 6 milhões e 500 para Marconi Perillo. O MDB, R$ 7 milhões para Daniel Vilela. O campeão foi Wilder Morais, com os R$ 11 milhões recebidos do PL.
Por ser caixa 1, é uma quantia considerável. Claro, o caixa 2 é muito maior, ou pelo menos era, porque ninguém está querendo doar para políticos, muito menos para proporcional, menos ainda para quem não tem cargo. Os deputados com mandato, os multimilionários e os ex-ocupantes de 1º escalão no Estado e em grandes cidades estão com dinheiro para pelar porco, porém, os demais são os porcos pelados. Só que a massa dos sem-verba é fundamental para eleger os figurões. Na eleição passada, o quociente eleitoral de Goiás para deputado federal foi de 202.332 votos e somente Silvye Alves (254.653) o alcançou. Gustavo Gayer passou perto (200.586), mas precisou dos colegas do PL para ganhar. Ainda que os coitadinhos que falam rápido no horário eleitoral, de maneira canhestra, percam até o caminho de casa, mesmo assim suas mixarias são necessárias.
O entrave é que, mesmo para tirar pouco voto, os bagrinhos dependem dos tubarões. O cofre mais cheio é de Daniel Vilela, que está governador e conta com as legendas mais ricas, à exceção do PT de Luis Cesar e do PL de Wilder. As quantias mais robustas ficam com os candidatos à Presidência da República e Daniel está cercado de partidos que só lançaram nomes para cargos menores, a única ressalva é o PSD de Ronaldo Caiado. Ou seja, sobra mais para os governadoriáveis. Os nanicos, assim como os grandes, prometem mundos e fundos na hora de filiar os pobres para completar nominata, depois dão apenas os mundos de ilusão, os fundos Eleitoral e Partidário ficam para a panelinha do presidente do diretório regional.
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Choradeira foi igual
O HOJE conversou com candidatos a deputado dos quatro partidos com maiores índices nas pesquisas para o Governo de Goiás, além de PP, PRD, PSD e União Brasil, prometendo que não revelaria suas identidades. Mesmo com anonimato garantido, a choradeira foi igual. Os únicos satisfeitos são os que pretendem chegar à Assembleia e estão fazendo dobradinhas com os endinheirados, tipo Bruno Peixoto (UB) e Magda Mofatto (PL), que são ricos e não muquiranas. Os demais, estão ganindo atrás de dinheiro. Um deles, servidor público, confessou que se candidata “toda vez” para ficar três meses à toa, recebendo do poder público sem trabalhar e do seu federal, também fazendo nada.
A pior situação é dos que ainda acham que a ponte entre a miséria e uma cadeira no Legislativo é algum trocado que o partido der. Mesmo os gigantes, como o MDB e PP, são espinafrados pelos candidatos a deputado estadual. E há o sério risco de as chapas tomarem Ozempic e emagrecerem de uma hora para outra. Pipocam algumas saídas oficiais, como a de Flávia do Maguito (que é bilionária), de Santana Gomes (que mal tem o da boia e dos boletos) e de Pedro Sales (servidor do Supremo Tribunal Federal – a turma que não presta lá é outra). Numa sigla menor, um concorrente disse a O HOJE que há o risco de desistência em massa, “talvez até da chapa toda”, porque só o presidente do diretório, que também está candidato, parece desfrutar das benesses financeiras. No PSDB, a tristeza é maior que a do Jeca. Os rivais PT e PL são umbilicais na hora das críticas de seus candidatos. (Especial para O HOJE)
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